Gerry Scotti propõe fim do access prime time às 21h30 e apelo por acordo entre Rai e Mediaset

Gerry Scotti pede fim do access prime time às 21h30 e apela por acordo entre Rai e Mediaset; elogia Stefano De Martino e destaca audiência de 4 milhões.

Gerry Scotti propõe fim do access prime time às 21h30 e apelo por acordo entre Rai e Mediaset

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Gerry Scotti propõe fim do access prime time às 21h30 e apelo por acordo entre Rai e Mediaset

Por Chiara Lombardi — No palco da segunda edição do Il Festival Dello Spettacolo, em uma manhã marcada por aplausos discretos e discussões sobre a televisão como espelho do nosso tempo, o apresentador Gerry Scotti fez um apelo pragmático que mistura logística, hábito social e até um toque de compaixão coletiva. Em tom direto, Scotti defendeu que o access prime time termine às 21h30 — uma proposta que, segundo ele, poderia ser resolvida com um único gesto institucional: um acordo entre Rai e Mediaset.

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“São cerca de 12 meses que eu e Stefano De Martino vamos em tantos festivais a dizer ‘por favor, façam-nos terminar os programas às 21h30’”, comentou Scotti durante o evento que teve a presença do vice-diretor de Tv Sorrisi e Canzoni, Ezio Genghini, do CEO da Mondadori Media, Carlo Mandelli, e do assessor de Cultura de Milão, Tommaso Sacchi. A ironia suave de Scotti — “Além da agradabilidade de fazer mais meia hora de transmissão, eu espero que os dirigentes da Rai e da Mediaset se entendam; se eles se entendem, ganhamos todos... e ganham também meia hora a mais de sono” — é ao mesmo tempo um apelo prático e uma pequena ode ao descanso coletivo.

O raciocínio de Scotti é simples e ancorado em números: se programas como La Ruota Della Fortuna e Affari Tuoi atraem, cada um, cerca de 4 milhões de espectadores todas as noites, é sinal de que “estamos trabalhando bem todos”. Essa observação transforma a proposta em mais do que um capricho de bastidores; é um convite para repensar a rotina noturna do país e a economia da audiência, como se ajustássemos o relógio de um roteiro social.

Sobre Stefano De Martino, Scotti foi explícito na desconstrução da narrativa da rivalidade. “De Martino tem o meu respeito: aos 37 anos, demonstra sempre grande afeto. Eu o vejo com a estima e a simpatia que um homem por volta dos 70 anos pode ter por um jovem profissional talentoso. Desconfie de quem diz que entre nós há luta e concorrência; nós simplesmente nos queremos bem”, afirmou o apresentador.

Como analista cultural, vejo nessa fala dois movimentos: um, a busca por harmonização institucional — o pedido de Scotti a Rai e Mediaset é também um pedido por coordenação simbólica; outro, o espelhamento de gerações no palco público, onde a convivência profissional pode ser lida como um reframe da realidade mediática. A insistência em terminar o access prime time mais cedo toca na semiótica do viral e do cotidiano: ao deslocar meia hora da programação, deslocamos hábitos de sono, conversas em família e o próprio pulso do noticiário.

Em suma, a declaração de Gerry Scotti no Festival não é apenas uma queixa técnica — é um convite para que a televisão, como artefato social, revele menos conflito narrativo e mais sintonia ética entre operadores. É um pequeno manifesto: se a grade muda, muda também o nosso roteiro coletivo. E, como promotor dessa conversa, Scotti convida a audiência a imaginar outro tempo para a noite italiana — mais curto na tela, talvez, e mais longo no descanso e na convivência fora dela.

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