Meloni afirma ter sido “sinceramente colpita” por ataque de Trump, mas descarta repercussões nas relações Itália-EUA
Meloni diz ter sido 'sinceramente colpita' por Trump, mas descarta repercussões nos laços entre Itália e EUA; mantém diálogo e cooperação econômica.
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Meloni afirma ter sido “sinceramente colpita” por ataque de Trump, mas descarta repercussões nas relações Itália-EUA
Por Giuseppe Borgo — Em um apelo direto à racionalidade da diplomacia, a primeira-ministra Giorgia Meloni avaliou publicamente, na Festa della Verità, o recente atrito com o presidente Donald Trump e deixou claro que não pretende permitir que o episódio abale os alicerces das relações entre Itália e Estados Unidos.
Ao comentar o confronto, Meloni pediu que a temática da política externa volte a ser tratada com a profundidade que exige: "não se deve falar de política externa como se fosse Temptation Island", disse, numa crítica às leituras superficiais que viralizam em redes. A frase é um chamamento para recompor a arquitetura do debate público internacional, evitando que crises pontuais transformem-se em ruídos permanentes.
Apesar de se declarar "sinceramente colpita" pelo comportamento do presidente americano, a chefe do governo enfatizou que não há intenção de pôr em risco os laços bilaterais. Meloni reafirmou que os vínculos institucionais e econômicos entre Roma e Washington se mantêm sólidos e prospectivos.
Como sinal de normalidade nas relações, os ministros italianos continuam confirmados para as celebrações do 4 de julho na Villa Taverna. "Nossa atividade e os nossos contatos têm sido positivos nas últimas semanas e meses, tanto em nível institucional quanto em nível econômico", observou a premiê, lembrando que o export italiano seguiu crescendo apesar de fricções com Washington — elemento que, segundo ela, comprova a boa recepção dos produtos italianos pelo mercado americano.
Sobre a leitura de que o ataque verbal de Trump teria o objetivo de desviar a atenção dos desafios dos diálogos com o Irã, Meloni reconheceu que o frente se ampliou e envolve outras capitais, mas reiterou que não deseja alimentar o confronto. "O nosso trabalho bilateral com os EUA deve voltar à normalidade", disse, repetindo o refrão da estabilidade diplomática.
Meloni também comentou a decisão do ministro Antonio Tajani de cancelar uma missão a Washington, qualificando-a como um gesto político adequado, mas advertiu que não é necessário extrapolar a medida. "Não vejo riscos de contraccolpi", afirmou, descartando repercussões institucionais maiores.
Sobre a negociação para frear as tensões no Irã, a premiê definiu o processo como complexo: "não podemos permitir que o Irã se equipe com uma arma nuclear" e lembrou que nenhum país deve se sentir ameaçado — menção direta a Israel e aos Estados do Golfo. A liberdade de navegação e a rejeição a qualquer pedágio no estreito de Hormuz foram destacados; a Itália, segundo Meloni, colocou-se à disposição para uma missão e "deve fazer a sua parte".
Quanto ao Líbano, a primeira-ministra disse ser otimista e que a Itália dará disponibilidade para apoiar, tema que estará na pauta do encontro com o presidente francês Emmanuel Macron em Antibes. Por fim, Meloni afirmou que está se monitorando o acordo negociado entre EUA e Irã e que, até agora, os recursos do governo foram canalizados prioritariamente para reduzir o preço dos combustíveis, esperando não precisar de despesas extraordinárias nas próximas semanas.
Neste momento de tensão e repercussões públicas, a mensagem de Meloni busca atuar como uma ponte entre decisões de governo e a vida dos cidadãos: proteger interesses nacionais sem transformar episódios diplomáticos em ruínas permanentes. É a tentativa de manter a construção dos direitos e das responsabilidades intacta, mesmo quando o peso da caneta de líderes estrangeiros provoca estardalhaço.