Oposição exige informativa a Meloni sobre indicação de ginecologista Marco Mattei à Corte dei Conti
Oposição pede informativa a Meloni sobre possível indicação de Marco Mattei, ginecologista, à Corte dei Conti; acusações de amiguismo e vínculos com inquérito Mondo di Mezzo.
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Oposição exige informativa a Meloni sobre indicação de ginecologista Marco Mattei à Corte dei Conti
Em uma nova tensão parlamentar, as oposições italianas pedem uma informativa urgente à presidente do Conselho, Giorgia Meloni, acerca da possível indicação do dr. Marco Mattei como magistrado da Corte dei Conti. A cobrança partiu com força do Movimento 5 Stelle e encontrou adesão de PD e Avs no plenário da Câmara.
O deputado Alfonso Colucci subiu à tribuna e descreveu o perfil de Mattei: médico ginecologista com início de atividade profissional nos Castelli Romani, ex-prefeito de Albano Laziale e ex-assessor regional na gestão de Renata Polverini. Para Colucci, trata-se de um currículo que «não se encaixa naturalmente» com a função de magistrado na Corte que é, acima de tudo, um baluarte do controle sobre o erário público.
Os parlamentares recordaram também o precedente da nomeação de Raffaele Borriello para a Corte dei Conti, em 17 de janeiro de 2025, e do seu retorno imediato, sete dias depois, ao cargo de chefe de gabinete do então ministro Gian Marco Centinaio Lollobrigida. «Servia mais como garantia de carreira do que como exercício de função pública», criticou Colucci, sugerindo um padrão de ocupação de cadeiras por afinidades pessoais.
Além da referência às relações pessoais — a oposição sublinha a proximidade entre Marco Mattei e Giorgia e Arianna Meloni — veio à tona outra preocupação: o nome de Mattei aparece em diligências ligadas à investigação Mondo di Mezzo. Colucci citou uma ordem em que consta encontro entre Salvatore Buzzi, Massimo Carminati e o então conselheiro do Lácio Marco Mattei, durante o qual Mattei teria mostrado documentos a Buzzi.
O grupo do PD, representado pelo deputado Toni Ricciardi, ingressou na solicitação com tom irônico, lembrando que «um ginecologista na Corte dei Conti faz pensar em um parto institucional». Ricciardi alertou para dois riscos: ou a nomeação busca, deliberadamente, enfraquecer a Corte, ou o governo não encontra «figuras credíveis» para executar funções de controle. Em ambos os cenários, segundo ele, estão em jogo os alicerces da lei e a arquitetura do controle democrático.
Também o grupo Avs apoiou o pedido de informativa. O deputado Devis Dori lembrou a natureza estratégica da Corte dei Conti — defensora do interesse público e guardiã do erário, como exige a Constituição — e pediu que o governo esclareça competências e vínculos antes de efetivar qualquer designação. Para Dori, a presidente poderia, se considerar apropriado, retirar a indicação de Mattei e evitar dúvidas sobre legalidade e meritocracia.
O episódio reacende o debate sobre a gestão de cargos institucionais: trata-se de preservar a estrutura pública como obra coletiva, ou de transformar cadeiras em refúgios de confiança política? A oposição exige que Meloni venha ao Parlamento com respostas claras, para que não se fragilize a ponte entre decisões de Roma e a vida real dos cidadãos.
Até o fechamento desta nota, o governo não havia emitido resposta oficial. Seguiremos acompanhando o pedido de informativa e seus desdobramentos, atuando como ponte entre o poder e a sociedade para que os alicerces da lei permaneçam transparentes e responsáveis.