Paolo Cirino Pomicino: o ministro de Nápoles e o resgate do Sul
Paolo Cirino Pomicino: trajetória política, papel em Nápoles e no Sul, julgamentos e retorno à política europeia.
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Paolo Cirino Pomicino: o ministro de Nápoles e o resgate do Sul
Paolo Cirino Pomicino foi figura-chave na arquitetura política italiana das últimas décadas do século XX — um nome que, por muito tempo, funcionou como ponte entre as decisões de Roma e os interesses de Napoli e do Mezzogiorno. Com a verve cortante que marcou sua carreira, tanto no Parlamento quanto nas salas de Justiça, Pomicino personificou o papel de ministro que muitos napolitanos passaram a reconhecer como 'o ministro por antonomásia'.
Nascido em Napoli a 3 de setembro de 1939, quinto de sete filhos na média-burguesia local, Pomicino formou-se em Medicina com máxima distinção e especialização em neurologia. Entrou na vida pública como conselheiro municipal em 1970 e escalou rapidamente as estruturas internas da antiga Democracia Cristã — a chamada "baleia branca" — integrando a direção e o conselho nacional e consolidando sua posição na corrente andreottiana, em contraposição ao outro grande nome campano, Antonio Gava.
Ele estreou na Câmara dos Deputados em 1976 e ali se manteve eleito sucessivamente (1979, 1983, 1987 e 1992), até o fim da XI legislatura e o colapso da Primeira República. No plano governamental, assumiu a liderança da Função Pública (1988-1989) no governo De Mita e, sobretudo, dirigiu o Bilancio e a programmazione economica (1989-1992) nos governos Andreotti VI e VII — anos em que consolidou influência nas políticas urbanísticas e econômicas de Napoli e do Sul, trazendo a debate a antiga questão meridional. Foi também figura relevante no chamado «CAF» — a aliança política entre Bettino Craxi, Giulio Andreotti e Arnaldo Forlani — que marcou a coordenação governativa da época.
Na década de 1980 e 1990, Pomicino teve papel central em projetos como o novo centro direzionale de Napoli, impulsionando um modelo de desenvolvimento urbano que buscava recuperar identidade e competitividade para a cidade. Sua atuação em nível regional, junto a aliados como Francesco de Lorenzo e Giulio Di Donato, foi rotulada pelos jornais locais como a era dos «viceré», tamanha a influência exercida nas escolhas públicas.
O período de Tangentopoli e a operação Mani Pulite alteraram o quadro nacional. A Procuradoria de Napoli abriu 16 procedimentos contra Pomicino — 14 foram a julgamento — e, em todos os casos, ele saiu absolvido. As acusações e as absolvições foram tema constante de suas comunicações públicas, frequentemente comentadas em seu blog pessoal, numa tentativa de preservar sua reputação e explicar o peso da caneta e das decisões políticas naquele imbróglio.
Reencontrou a cena política nos anos 2000: em 2004 foi eleito ao Parlamento Europeu pela lista do Udeur de Clemente Mastella, integrando o grupo do PPE. Voltou à Câmara em 2006 na lista formada pela antiga DC e pelo Nuovo PSI, onde chegou a presidir o respectivo grupo parlamentar. A trajetória pessoal foi marcada também por um episódio de saúde sério: sofreu um infarto e, em 9 de abril de 2007, foi submetido a um delicado transplante de coração.
Mesmo nos últimos anos, a presença pública de Paolo Cirino Pomicino não desapareceu: foi visto em Montecitorio em 2023, por ocasião da câmara ardente do ex-presidente Giorgio Napolitano, lembrando que, na política italiana, as pontes entre passado e presente são muitas vezes mais tangíveis do que parecem.
Como repórter, observo que a história de Pomicino é um exemplo de como os alicerces da lei, as engrenagens partidárias e as escolhas urbanas se conectam à vida dos cidadãos. Seu percurso evidencia tanto a capacidade de construir políticas locais a partir de decisões nacionais quanto as dificuldades de navegar crises de legitimidade. Para quem busca entender direitos e deveres, e para a comunidade ítalo-descendente que olha para a relação entre Roma e o Sul, a figura de Pomicino permanece relevante: faz parte da construção — e da reconstrução — das pontes civis que sustentam a democracia.


