Primeiro de Maio: cortejos por trabalho digno em Trieste e confrontos em Turim junto ao ex Askatasuna
Primeiro de Maio: cortejos por trabalho digno em Trieste e confrontos em Turim junto ao ex Askatasuna com cargas e gás lacrimogêneo.
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Primeiro de Maio: cortejos por trabalho digno em Trieste e confrontos em Turim junto ao ex Askatasuna
Por Giuseppe Borgo — Em um dia que marca os alicerces da cidadania laboral, as celebrações do Primeiro de Maio na Itália combinaram manifestações sindicais pacíficas e episódios de tensão nas ruas. Em Trieste, o foco foi a reivindicação por um trabalho mais seguro e com mais dignidade; em Turim, conflitos entre manifestantes e a polícia reacenderam o debate sobre o uso da força em ações de ordem pública.
Em Turim, um grupo de autônomos conseguiu chegar até o portão do jardim do ex centro social Askatasuna e abri-lo. No entanto, dentro das instalações havia unidades móveis da polícia, que reagiram com cargas e lançamento de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. Algumas centenas de pessoas continuaram a circular pelo bairro de Vanchiglia, onde fica o antigo Askatasuna; entre eles havia pessoas com o rosto coberto que tentaram repetidamente atacar a retaguarda do centro social. Em resposta, houve um intenso lançamento de garrafas de vidro e alguns pedras contra as forças de ordem.
As imagens mostram, também, a ativação de hidrantes depois que um grupo de jovens se aproximou do cordão policial. Após as cargas houve um momento de pausa nos distúrbios; logo depois, os manifestantes voltaram a lançar objetos contra os veículos e os homens dos reparti mobili. Um pequeno grupo acabou por permanecer sentado no chão em sinal de resistência pacífica, enquanto as forças de segurança mantinham a contenção do perímetro.
Enquanto isso, em Trieste, sindicatos e trabalhadores percorreram as ruas num longo cortejo que saiu do Campo San Giacomo e chegou, no final da manhã, à central Piazza Unità d'Italia. Com cravos vermelhos nas mãos, bandeiras sindicais, faixas e música, os presentes reforçaram que "o trabalho não é um slogan: é dignidade, futuro e liberdade". A mobilização foi promovida por CGIL, CISL e UIL.
As estimativas variaram: cerca de 3 mil participantes segundo a Questura e 5 mil segundo os sindicatos. Estudantes marcharam com a faixa "Cercate braccia, avrete persone". Foram vistas também bandeiras de partidos e movimentos, entre eles AVS, PD, M5S, Adesso Trieste e Rifondazione Comunista — lembrando que, como em edições passadas, símbolos rememorando a antiga República Federal da Jugoslávia apareceram entre alguns participantes nostálgicos.
Do ponto de vista das lideranças sindicais, a mensagem foi clara: a defesa do trabalho digno passa por negociação e pressão política. Massimo Marega, secretário-geral da CGIL Trieste, destacou que "um trabalho que não é digno não permite que as novas gerações permaneçam na Itália e invistam aqui sua formação". Vera Buonomo, da secretaria nacional da UIL, afirmou que estão sendo buscados "tavoli interlocutori" com associações patronais para reunir demandas e pressionar o governo a reduzir o lavoro povero. Andrea Blau, da Fisascat-CISL, acrescentou uma advertência sobre o impacto da IA: é necessário governar e gerir a tecnologia para que não agrave a perda de dignidade no trabalho.
Na parte final do cortejo, num espaço separado, formou-se um bloco social promovido pela USB com o lema "Il lavoro ripudia la guerra. Blocchiamo le armi, alziamo i salari"; esse grupo concluiu seu percurso na vizinha Piazza della Borsa.
O retrato do dia é o de um país em que se tenta construir pontes — entre trabalhadores, instituições e empregadores — enquanto, em algumas frentes, a escalada de confrontos lembra que a arquitetura da lei e da ordem pública ainda enfrenta desafios práticos. A balança entre o direito de manifestação e a necessidade de segurança segue sendo testada na prática; o peso da caneta que define políticas laborais e o peso das ruas que reivindicam essas mudanças continuam, assim, em diálogo tenso e necessário.