Referendo da justiça na Itália: vence o NO com 53,23% — mapa regional e voto no exterior

Referendo da justiça na Itália: o NO vence com 53,23%. Resultados por região, participação e voto dos italianos no exterior.

Referendo da justiça na Itália: vence o NO com 53,23% — mapa regional e voto no exterior

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Referendo da justiça na Itália: vence o NO com 53,23% — mapa regional e voto no exterior

Por Giuseppe Borgo — A Constituição permanece inalterada. No plebiscito sobre a reforma da justiça aprovado em dupla leitura pelo centro-direita no Parlamento, os eleitores italianos rejeitaram as mudanças: o NO prevaleceu com mais de 15,084 milhões de votos, correspondente a 53,23%. Resta apurar apenas uma seção em Sassari (seção nº 127), cujos atos foram enviados pelo Viminale ao Ufficio Centrale para conclusão das operações.

O comparecimento nas urnas foi de 58,93% no território nacional, enquanto entre os italianos no exterior a participação foi de apenas 28,53%. Considerando todos os eleitores inscritos o índice de afluência ficou em 55,70%.

O resultado por regiões mostra uma divisão geográfica nítida. O NO venceu praticamente em todo o país, exceto em três regiões do norte onde o se impôs: Veneto (58,41% a favor), Friuli Venezia Giulia (54,47%) e Lombardia (53,56%).

O centro e, sobretudo, o sul do país — mesmo em áreas governadas pelo centro-direita — deram largamente maioria ao NO. Destaques: Sicília 60,98%, Calábria 57,26%, Basilicata 60,03%, Abruzzo 51,77%, Molise 54,70%, Lácio 54,59% e Marche 53,74%. Entre outras regiões com vitória do NO estão Piemonte (53,50%), Ligúria (57,03%), Vale de Aosta (51,81%) e Trentino-Alto Adige (50,59%).

Em termos de governança regional, o NO venceu em todas as regiões administradas pelo centro-esquerda (Umbria, Puglia, Emilia-Romagna, Toscana, Sardenha, Campânia) e conquistou 10 regiões onde o centro-direita detém o governo. O resistiu apenas em três regiões comandadas pelo centro-direita: Veneto, Lombardia e Friuli Venezia Giulia. A maior adesão ao NO ocorreu na Campânia, com 65,22%, seguida pela Sicília (60,98%) e pela Basilicata (60,03%).

Curiosamente, o voto dos italianos no exterior seguiu tendência oposta: o obteve 56,34% (803.632 votos), enquanto o NO ficou com 43,66% (622.652 votos). Por continentes, apenas a Europa deu maioria ao NO (56,24% / 405.538 votos). O prevaleceu na América do Sul (72,86% / 402.307 votos), na América do Norte (57,64% / 57.228 votos) e na categoria África-Ásia-Oceania (53,02% / 28.679 votos).

Entre países, o obteve seu maior resultado na Venezuela (87,35%), seguido por Chile, África do Sul, Argentina e Brasil, todos com porcentuais superiores a 70%. Por outro lado, o NO teve margens expressivas em países europeus como Dinamarca (78,96%), Suécia (74,9%), Noruega (73,7%) e Holanda (73,11%), além de acima de 60% no Reino Unido e na Bélgica. Um dado curioso: na Turquia o resultado foi perfeitamente empatado — 520 votos para o e 520 para o NO.

Como correspondente que atua como ponte entre o poder e a cidadania, observo que este plebiscito reforça a ideia de que a arquitetura do voto em Itália mantém fortes clivagens territoriais e geracionais, e que o peso da caneta das reformas esbarra nas ruas e nas preocupações cotidianas dos cidadãos. O veredito conserva os alicerces da lei inalterados e lança agora ao Parlamento e ao governo o desafio de reconstruir consensos, derrubando barreiras burocráticas e políticas que impedem uma reforma apoiada pela maioria.

Resta acompanhar a entrega oficial dos últimos atos eleitorais e a leitura final pelo Viminale. O resultado nacional, porém, é claro: o NO venceu e a proposta de mudança constitucional na justiça foi rejeitada pelos eleitores.