Referendo: vitória do NÃO surpreende o centro-direita, mas governo de Meloni garante que seguirá em frente
Vitória do NÃO no referendo altera o cenário: Meloni garante continuidade do governo; centro-direita reage dividida e cautelosa.
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Referendo: vitória do NÃO surpreende o centro-direita, mas governo de Meloni garante que seguirá em frente
O triunfo do NÃO no referendo sobre a reforma da justiça tornou-se rapidamente uma certeza nas primeiras horas do apuramento. Em resposta, a primeira-ministra Giorgia Meloni publicou um vídeo nas redes sociais assegurando que o governo "irá adiante" com responsabilidade, determinação e respeito pelo povo italiano e pelo país. A premiê reconheceu, no entanto, o "arrependimento" pela oportunidade perdida de modernizar o país e recordou que a soberania pertence ao povo: os italianos se expressaram com clareza.
No vídeo, com o enquadramento discreto de uma sebe ao fundo, Meloni reforçou que o Executivo cumpriu o que prometeu no programa eleitoral ao levar adiante a proposta de reforma. Quem falou com a premiê a descreveu desapontada — trata-se, fora das eleições regionais da Sardenha de fevereiro de 2024, da primeira derrota eleitoral relevante da coalizão de centrodireita enquanto no governo.
Galeazzo Bignami, líder de Fratelli d'Italia na Câmara, admitiu abertamente que Meloni "esperava um resultado diferente". Respondendo sobre a possível influência da investigação jornalística que ligou o deputado Andrea Delmastro à família Caroccia, Bignami foi cauteloso: "Faremos as nossas avaliações; parece-me complexo atribuir a culpa apenas a essa questão".
Em Via della Scrofa — endereço associado ao partido — a direção assegura que a derrota não afetará a ação do Executivo nem a continuidade da maioria, inclusive no que diz respeito à reforma da lei eleitoral. Entre os aliados, porém, a palavra dominante é prudência: apesar das garantias públicas, o desconforto é visível.
No salão Colletti do grupo de Forza Italia em Montecitorio, o tom foi de desapontamento. Os líderes parlamentares Paolo Barelli e Maurizio Gasparri, acompanhados pelo vice-presidente 'azurro' Giorgio Mulè, compareceram em coletiva para transmitir unidade, mas também inquietude. Antonio Tajani divulgou nota enfatizando que o referendo não foi um voto sobre o trabalho do governo e garantindo que o partido concorrerá às próximas eleições legislativas ao lado dos aliados do centrodireita. "Fizemos todo o possível", disse Tajani, prometendo que o partido não renunciará à histórica bandeira da reforma da justiça.
Tajani apelou por um debate menos inflamado: "Espero que ninguém use mais tons de guerra civil como os que ouvimos nesta campanha referendária. A justiça é demasiado importante para ser reduzida a uma contenda política infrutífera". O secretário da Lega, Matteo Salvini, também reconheceu o veredito das urnas: "Quando os cidadãos se expressam, estão sempre certos", afirmou, e reafirmou a convicção de que o sistema judicial necessita melhoras, defendendo que o governo prossiga com coesão e determinação.
Fontes internas do aparato do partido comentaram, sob condição de anonimato, que não aceitarão que se aponte o dedo contra o bloco governista: "Fizemos a nossa parte", disseram, lembrando que, na arquitetura do poder, decisões e derrotas são parte do processo democrático. Para observadores atentos, esta derrota é mais do que um revés eleitoral; representa um sinal de alerta sobre a construção dos alicerces da lei e sobre como o peso da caneta nas mãos do legislador é percebido pelos eleitores.
Em suma, o resultado acendeu um debate interno sobre estratégias e mensagens, mas, por ora, a ordem pública dos líderes de coalizão é de não permitir fissuras que comprometam a estabilidade do Executivo. A ponte entre as promessas de campanha e a concretização legislativa terá agora de ser reconstruída, com prudência e medidas que reconquistem a confiança de parcelas do eleitorado que optaram pelo NÃO.