Referendum: Frente do Sì e do No aceleram para o desfecho da separação das carreiras

Última semana de campanha do referendo sobre a separação das carreiras: agendas do Sì e do No, atos em Roma e Milão e declarações de líderes.

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Referendum: Frente do Sì e do No aceleram para o desfecho da separação das carreiras

Às vésperas do referendo sobre a separação das carreiras, os dois campos — o do e o do No — afinam o discurso e intensificam a mobilização na última semana de campanha. Como correspondente atento à arquitetura das decisões de Roma, acompanho a movimentação que molda os alicerces da lei e impacta a vida cotidiana dos cidadãos e das categorias profissionais.

No front do , a primeira-ministra Giorgia Meloni dá sequência à agenda pública depois da presença na kermesse do partido em 12 de março, no Teatro Parenti de Milão. A premiê usará vídeos nas redes sociais e entrevistas na TV para reforçar a mensagem: hoje à noite estará em Quarta Repubblica (Rete4) e no dia 20 participa do programa Porta a Porta.

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Na terça-feira, a Câmara dos Deputados sediará a maratona oratória intitulada "Comizio d'amore per il Sì", iniciativa do intergruppo parlamentar que busca transformar os argumentos constitucionais em um apelo direto aos eleitores. Quarta-feira traz o líder da Lega, Matteo Salvini, a Milão para o congresso "Vota Sì. La riforma che fa giustizia". Já quinta-feira, em Roma, Fratelli d'Italia promove nova mobilização com a presença do subsecretário da presidência do Conselho, Alfredo Mantovano, e de Arianna Meloni, chefe de gabinete do partido.

Os comitês do pró- — de "Sì riforma" a "Sì separa", incluindo os representantes das Camere penali e de diversas profissões — planejam encerrar a campanha com uma kermesse unitária no dia 20 de março, como tentativa de erguer uma ponte final entre as forças políticas e os eleitores indecisos.

No campo do No, o ex-primeiro-ministro e líder do M5S, Giuseppe Conte, anunciou um grande ato para sexta-feira em Roma, no Palazzo dei Congressi, no EUR. O evento promete intervenções de intelectuais e figuras do entretenimento, entre elas Enzo Iacchetti, Ficarra e Picone, Neri Marcorè, Elio Germano, Pif, Stefano Sarcinelli e Francesco Paolantoni, mobilizando apelos culturais contra a reforma.

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Também na sexta-feira, em Milão, o PD fechará sua campanha na Piazza Sant'Agostino com a secretária nacional Elly Schlein e a presença do prefeito Giuseppe Sala. O tom crítico do PD foi ilustrado pela citação — destacada pela liderança — da chefe de gabinete do ministro Nordio, a doutora Bartolozzi, que em palavras atribuídas à sua intervenção teria dito: "Votate sì, così ci togliamo di mezzo la magistratura. Un plotone di esecuzione"; frase que alimenta o debate sobre os riscos de concentração de poderes e a retórica da reforma.

Paralelamente, para o dia 18 está prevista em Roma, na Piazza del Popolo, uma manifestação do Comitê "Società Civile per il No". O deputado Nicola Fratoianni ressaltou que, durante o fim de semana, centenas de gazebo e banchetti promovidos por AVS estarão ativos por toda a Itália com o lema "No ai pieni poteri" — sinal claro de mobilização de base contra o que consideram um desequilíbrio dos alicerces institucionais.

No terreno das ações locais, a Lega continua com gazebo em apoio ao . O vice‑primeiro‑ministro e ministro dos Estrangeiros, Antonio Tajani, condenou atos de vandalismo ocorridos na campanha — incluindo a queima de cartazes — e alertou contra o tom agressivo de parte dos opositores.

Por fim, uma declaração do ministro da Justiça, Carlo Nordio, publicada em entrevista ao Il Sole 24 Ore, merece atenção técnica: ele disse que, se dependesse dele, aboliria o poder de iniciativa disciplinar do ministro e o atribuiria ao Procurador‑Geral junto à Corte de Cassação. É uma proposta concreta que torna visível o peso da caneta no desenho dos mecanismos disciplinares e reabre a discussão sobre quem deve ter a responsabilidade última no sistema disciplinar judicial.

Estamos diante da reta final de uma campanha que tenta moldar os alicerces da administração da justiça. Como uma ponte entre as decisões de Roma e a vida real, acompanho de perto como cada comício, cada palavra e cada declaração reverberam nos bairros, nos escritórios e nas praças — a construção de direitos e a demolição de barreiras burocráticas se decidem, também, nesses atos públicos.

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