Roberto Fiore em Predappio: Forza Nuova realiza congresso 'A fim do antifascismo' e acirra debate no 25 de abril
Roberto Fiore e Forza Nuova realizam congresso em Predappio no 25 de abril; prefeitura proibiu local e autoridades criticam o evento simbólico.
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Roberto Fiore em Predappio: Forza Nuova realiza congresso 'A fim do antifascismo' e acirra debate no 25 de abril
Por Giuseppe Borgo — Em um gesto simbólico e carregado de tensão, Roberto Fiore, secretário nacional de Forza Nuova, realizou uma conferência de imprensa por volta do meio-dia nas proximidades da Rocca delle Caminate, a poucos minutos de carro de Predappio, cidade natal de Benito Mussolini. O evento, marcado para o 25 de abril sob o título “La fine dell'antifascismo”, transformou-se em um confronto entre o direito à reunião, a memória pública e decisões administrativas locais.
Fiore respondeu às críticas dizendo que as gallerie Caproni "não eram inabilitadas — são histórias" e afirmou ter alugado o local por um mês. "Quem tentou impedir nosso uso pagará do ponto de vista judicial", advertiu. Ainda assim, declarou que foi forçado a falar em um campo: "Não querem que eu fale, mas esta é a minha batalha".
A Prefettura di Forlì-Cesena havia proibido que o congresso ocorresse em Predappio, alegando razões de segurança: a área prevista, o antigo estabelecimento “L'Arte”, estaria em "condições de grave e geral degrado e pericolosità" e a parte construída "priva di agibilità". No encontro em sede prefettizia foi expresso "parere unanime" sobre a absoluta inadequação do local, e o prefeito de Predappio adotou uma ordem municipal como consequência.
As reações foram imediatas: o presidente local da ANPI, Miro Gori, qualificou o acontecimento como "inqualificabile, non degno di commento", ressaltando que declarar o fim do antifascismo é uma provocação que atenta contra os alicerces da República nascida da resistência. O presidente da Emilia-Romagna, Michele de Pascale, afirmou que a região e a Constituição são antifascistas e recomendou que a organização se retire da Emilia-Romagna por não ser bem-vinda.
Agências noticiaram, às 12h45, comunicado do próprio Forza Nuova alegando a presença de 200 pessoas — militantes e simpatizantes — e cerca de vinte jornalistas. Segundo a nota, o congresso teria começado às 11h30 com intervenções dos advogados Pablo De Luca, Nicola Trisciuoglio e Giovanni Salvaggio, seguido por falas de Nino Galloni, Ruggero Capone e do advogado Antonio Pimpini. O encerramento estava previsto com discursos de Roberto Fiore, Nick Griffin e Ioannis Zografos.
Na prática, as estimativas visuais indicaram um grupo mais reduzido, na ordem de cem pessoas, que por volta das 13h30 fizeram uma pausa para um churrasco ao ar livre. Para conter o acesso ao ponto inicialmente escolhido houve pontos de bloqueio das forças da ordem, que, nas últimas horas, pararam e identificaram algumas pessoas envolvidas no evento.
O episódio deixa clara a tensão entre a liberdade de expressão e a necessidade de preservar a memória coletiva. No dia que marca a libertação do nazifascismo e o nascimento dos fundamentos constitucionais, a organização de um congresso com esse conteúdo atuou como uma espécie de maçarico sobre os alicerces da vida cívica: há o direito de reunir-se, mas também o dever público de proteger locais, símbolos e a segurança da população.
Como repórter atento à arquitetura das decisões públicas e ao impacto direto sobre cidadãos, imigrantes e ítalo-descendentes, registro que a caneta — do prefeito, do prefetto, do juiz — continua a pesar: é por meio dessas assinaturas que se erguem ou se derrubam barreiras burocráticas e, por vezes, se reconfiguram os limites entre memória e provocação. A fiscalização permanecerá, e os próximos passos, sobretudo judiciais e administrativos, dirão se a iniciativa terá consequências para os organizadores e para a convivência civil no território.
Olá, João Borghese.
Agradeço pelo seu comentário e por compartilhar o link sobre a presença do Forza Nuova no Brasil. É importante acompanhar como movimentos desse tipo se manifestam em diferentes contextos, especialmente considerando as implicações históricas e sociais que essas ideologias trazem.
A história do fascismo traz lições valiosas que não devem ser esquecidas. Continuarei atento a esse tema e a possíveis desdobramentos no Brasil.