Protesto em Roma: imagens de Meloni e Nordio são queimadas durante ato contra o referendo; ANM pede moderação
Em Roma, imagens de Meloni e Nordio foram queimadas em protesto contra o referendo; ANM pede moderação e políticos condenam os atos.
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Protesto em Roma: imagens de Meloni e Nordio são queimadas durante ato contra o referendo; ANM pede moderação
Por Giuseppe Borgo — Em mais um capítulo tenso da campanha pelo referendo constitucional de 22 e 23 de março, manifestantes em Roma incendiaram hoje duas imagens que retratavam a presidente do Conselho, Giorgia Meloni. O primeiro cartaz mostrava a premiê com um guizo no punho enquanto prendia na coleira o ministro da Justiça, Carlo Nordio, representado com uma mordaça. Logo depois, foi queimada outra imagem em que a chefe do governo aperta a mão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acompanhada da inscrição "no al vostro genocidio, 75mila civili uccisi, 2 mln di sfollati".
O protesto, promovido por Potere al Popolo e pelo Comitato pelo "No sociale", faz parte da mobilização contra a reforma constitucional que será decidida nas urnas no fim de semana seguinte. As cenas de queima de retratos desencadearam reações imediatas por parte de instituições e atores políticos.
A Associação Nacional dos Magistrados (ANM) divulgou nota em que manifesta "solidariedade à presidente do Conselho Giorgia Meloni e ao ministro da Justiça Carlo Nordio" pelo ocorrido no cortejo de Roma. A entidade também exortou a "baixar os tons" durante a campanha, lembrando que a moderação é um princípio que deve valer para todos, independentemente de posicionamentos pessoais ou coletivos.
Do outro lado, o Comitato "Camere Penali per il Sì" também declarou "plena solidariedade" a Meloni e Nordio, qualificando o episódio como "grave" e sinal de que a campanha referendária ultrapassou os limites do confronto democrático e civil. As Camere Penali responsabilizaram a ANM por, segundo o comitê, conduzir uma campanha fundada na desinformação e no alarmismo, destinada a proteger um status quo "não mais tolerável".
O argumento levantado pelo Comitato aponta que certas acusações — entre elas a de que votar Sim tornaria eleitores sujeitos a investigações, processos ou associação com a máfia — são "palavras gravíssimas" que ofendem milhões de cidadãos e ampliam a sombra sobre o debate público. A tensão retórica, portanto, tem muitas pontas: manifestações de rua que escalam para símbolos violentos e reações institucionais que denunciam uma escalada de desinformação.
Figuras políticas também se manifestaram. O presidente do Senado, Ignazio La Russa, classificou os atos como incompreensíveis e inaceitáveis e pediu que, nos últimos dias de campanha, "prevaleça finalmente o confronto ao scontro". O presidente da Câmara, Lorenzo Fontana, reiterou solidariedade às autoridades visadas e apelou para que o clima do pleito permita um debate civilizado.
Como repórter atento à arquitetura do debate público, observo que o episódio revela dois vetores preocupantes: a necessidade de preservar o respeito às instituições e ao mesmo tempo a urgência de combater a desinformação que alimenta medos e polarizações. É preciso lembrar que a construção de direitos e de consenso se faz na ponte entre argumentos verificáveis e responsabilidade cívica — não nas chamas de imagens que visam humilhar ou desumanizar adversários.
Nos próximos dias, stakeholders jurídicos, entidades civis e partidos terão de avaliar medidas de resposta que não limitem apenas a retórica, mas ajudem a restaurar um terreno mínimo de confiança para que o eleitorado decida com informação e serenidade. O peso da caneta e do voto será o veredicto final; é dever de todos proteger esse processo das degradações que viram espetáculo.


