Salis e Decaro alertam para barreiras que mantêm mulheres fora do mercado de trabalho

Salis e Decaro destacam desigualdades no emprego feminino: taxa de ocupação 20% menor e diferença salarial de 17%, além de milhões inativas por cuidado familiar.

Salis e Decaro alertam para barreiras que mantêm mulheres fora do mercado de trabalho

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Salis e Decaro alertam para barreiras que mantêm mulheres fora do mercado de trabalho

Giuseppe Borgo — No evento "Parità di genere nell'impresa", realizado no Museu Castromediano de Lecce, autoridades e especialistas voltaram o foco para os obstáculos concretos que ainda impedem a igualdade entre os sexos no mercado de trabalho. A discussão, moderada por Rita Lofano, diretora da AGI, reuniu, entre outros, a prefeita de Gênova, Silvia Salis, e o presidente da Região Puglia, Antonio Decaro.

Os dados citados durante o encontro mostram que a taxa de ocupação feminina permanece substancialmente abaixo da masculina: segundo o World Economic Forum, o índice de emprego das mulheres é cerca de 20% inferior ao dos homens. Soma-se a isso uma diferença salarial média de 17% entre os sexos — números que, por si só, já evidenciam a urgência da pauta da paridade de gênero.

Mas os números contam apenas parte da história. Intervêm, também, percepções, estereótipos e preconceitos que aprofundam a desigualdade. Salis deixou claro seu desconforto diante de quem relativiza medidas como as quotas de gênero. "Quando ouço um homem dizer que as quotas são inúteis, fico perplessa. Quando a frase vem de mulheres, arrepia", afirmou a prefeita, lembrando sua trajetória na direção esportiva: sem as quotas, disse, as dirigentes seriam praticamente zero.

A partir desse ponto, Salis expôs a raiz prática do problema: funções de liderança e cargos de presidência em clubes e associações exigem disponibilidade e tempo muitas vezes compatíveis apenas com quem pode delegar cuidados familiares. "Quem pode dedicar o próprio tempo livre aos filhos dos outros? Os homens", criticou, apontando para a persistente divisão desigual de responsabilidades domésticas.

Para dimensionar o impacto dessa divisão, Salis trouxe outro dado: há 3,3 milhões de pessoas em idade ativa que estão inativas por motivos familiares na Itália — não buscam emprego porque cuidam da família. Destas, 3,1 milhões são mulheres. "Quando existe uma necessidade de cuidado dentro da família, é sempre a mulher que deixa o trabalho ou deixa de procurar emprego", explicou.

O presidente da Puglia, Antonio Decaro, reforçou a leitura regional. "Se olharmos para os dados da nossa Região, de 1,3 milhão de ocupados pouco mais de 400 mil são mulheres. Falamos de uma disparidade altíssima, mais que o dobro", apontou. Decaro ainda recordou a proximidade do aniversário de 80 anos do direito de voto feminino na Itália, sublinhando que essa conquista não foi uma concessão: "Foi resultado da resistência das mulheres que lutaram por esse direito".

O encontro em Lecce funcionou como alerta prático: para avançar na construção de direitos e derrubar barreiras burocráticas e culturais, é preciso combinar políticas públicas, medidas de apoio à conciliação entre trabalho e cuidado familiar e um esforço para reordenar os alicerces das oportunidades. Como repórter atento à arquitetura do voto e às decisões de Roma, registro que a ponte entre leis e vida cotidiana ainda tem muitos vãos a preencher — e as estatísticas, aliadas às vozes de quem atua no terreno, oferecem o mapa para começar a obra.