Salvini afirma que seguirá como ministro e descarta candidatura imediata a prefeito de Milão

Salvini reafirma que seguirá como ministro dos transportes e não será candidato imediato a prefeito de Milão; propõe primárias como modelo para o centro-direita.

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Salvini afirma que seguirá como ministro e descarta candidatura imediata a prefeito de Milão

Por Giuseppe Borgo — Em passagem por Milão, o ministro e líder da Lega, Matteo Salvini, reafirmou que seu papel atual é o de ministro dos transportes e que não pretende, por ora, assumir a função de sindaco da cidade. Em tom direto e com a lente da gestão pública, Salvini disse que "Milão é a cidade mais bela e inovadora do mundo" e alertou para o risco de a cidade se transformar em "uma boutique para quem pode pagar" — argumento que usou para justificar a necessidade de devolver a cidade aos milaneses.

Ao final das votações nos gazebo organizados pela Lega na capital lombarda, o secretário do partido afirmou que o foco imediato é fortalecer a força do partido nas próximas eleições nacionais e que "para fazer o sindaco de Milão haverá tempo". Salvini agradeceu previamente a militância e os cidadãos: se o seu nome surgir como candidato nas consultas internas, ele garantiu que retribuirá com agradecimento, mas confirmou sua atenção prioritária à pasta que ocupa em nível nacional.

Segundo o líder, os resultados dos gazebo serão anunciados na segunda-feira, depois do encerramento das urnas. A estratégia que propõe é transformar as primárias da Lega e do centrodestra em um modelo para todas as grandes cidades que vão às urnas: uma forma de criar processos transparentes e acelerar a escolha de nomes compatíveis com a coalizão. "Se houver um candidato de acordo comum, ótimo; mas não podemos chegar a outubro com o debate ainda aberto", disse.

Salvini visitou mercados e praças — primeiro em Città Studi e depois no centro histórico — e declarou que a iniciativa em 40 pontos da cidade é uma maneira de ouvir prioridades reais: custo de vida, Ztl, estacionamento, mobilidade e habitação popular. "Onde vamos construir os estacionamentos? Como reorganizar as casas populares?", questionou, sublinhando a necessidade de substituir o diálogo de salão por presença nas periferias, mercados e ruas.

Na avaliação do ministro, a cidade hoje está "mais parada": "A sinistra está errando; enquanto eles operam em salões, nós vamos às periferias". Salvini descreveu a iniciativa como oportunidade para o centrodestra se unir — tanto em Milão quanto em Roma — e ele frisou que a escolha final dependerá de um nome credível e do consenso entre as forças da coalizão.

Questionado sobre o possível nome de Carlo Cottarelli, aventado por integrantes de Forza Italia, Salvini foi claro: não recebeu propostas e acredita que o debate deve se concentrar em projetos concretos para bairros como Bovisa, Gratosoglio e Rogoredo, na melhoria da viabilidade urbana e na reorganização dos serviços. "Precisamos de ideias sobre periferias e mobilidade, não apenas de nomes", afirmou.

Por fim, o secretário da Lega reforçou que seu compromisso institucional é nacional: ele se vê como ministro dos transportes para toda a Itália e remeteu a conversa sobre uma eventual candidatura a momentos posteriores. Como repórter atento aos alicerces da decisão pública, registro que esta posição realinha os sinais internos do partido e marca um movimento estratégico: construir consenso político sem precipitar a escolha do candidato, preservando, ao mesmo tempo, a imagem de quem exerce o "peso da caneta" no governo.