Salvini afasta candidatura à prefeitura de Milano: “Sou ministro, volto a falar segunda”

Salvini reafirma que permanece ministro e defende primárias da Lega em Milano; discurso foca mobilidade, periferias e união do centro-direita.

Salvini afasta candidatura à prefeitura de Milano: “Sou ministro, volto a falar segunda”

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Salvini afasta candidatura à prefeitura de Milano: “Sou ministro, volto a falar segunda”

Em visita aos gazebo da Lega em Milano, o ministro e líder do partido, Matteo Salvini, reiterou neste fim de semana que seu foco atual é o cargo no governo e não a disputa pela prefeitura. “Eu sou milanese, para mim Milano é a cidade mais bela e mais importante do mundo e a mais inovativa. Em este momento está parada e corre o risco de virar uma cidade para ricos, uma boutique para quem pode pagar”, disse Salvini, apontando a necessidade de “devolver Milano aos milaneses”.

Salvini também deixou claro o objetivo eleitoral maior: “Há muitas partidas em aberto e o objetivo é vencer as próximas eleições políticas com uma Lega forte. Depois, para ser prefeito de Milano haverá tempo. Se sair o meu nome, agradecerei aos militantes e aos milaneses. Eu faço o ministro dos transportes para toda a Itália e a gente fala segunda-feira”, afirmou, após participar como “observador externo” dos pontos de votação que o partido organizou na cidade.

Os eventos da Lega ocorreram em cerca de 40 praças durante o fim de semana, com presença do líder pela manhã no mercado da zona de Città Studi e à tarde no centro. “Amanhã à noite fechamos as urnas e segunda vamos divulgar os resultados. É bom que, num fim de semana quente de junho, a Lega escute Milano, pergunte aos cidadãos quais são as prioridades”, declarou Salvini, reforçando o caráter de escuta popular como etapa para a construção do programa municipal.

Na avaliação do secretário, a oposição de esquerda está equivocada: “A cidade está mais parada, há o tema do custo de vida, das Ztl e dos estacionamentos. São dois dias de escuta para depois construir um programa, inclusive sobre quem gostariam que dirigisse a cidade. Enquanto a esquerda está nos salões, nós vamos às periferias e aos mercados”. Com a metáfora de quem reconstrói uma cidade, Salvini apresentou a iniciativa como um esforço para erguer os alicerces de políticas locais que atendam bairros como Bovisa, Gratosoglio e Rogoredo.

Sobre o método de escolha, o líder propõe que as primárias da Lega e do centro-direita virem um modelo replicável em grandes cidades: “Se se encontra um candidato de comum acordo amanhã está bem, mas não podemos chegar em outubro com o debate ainda aberto. Queremos estimular o centro-direita a agir rápido. Se os outros partidos fizerem algo semelhante, escolheremos o melhor, se houver um nome credível. O centro-direita será unido em Milano, como em Roma”.

Ao comentar notícias sobre nomes possíveis, Salvini disse que a hipótese de Carlo Cottarelli, mencionada por setores de Forza Italia, “não está na mesa” e “ninguém nos apresentou” tal proposta. O que interessa, reafirmou, são projetos concretos sobre mobilidade, onde criar vagas de estacionamento, e como reorganizar os condomínios populares. Em sua fala, o tom foi de quem mede o peso da caneta: priorizar medidas palpáveis que mexam na vida cotidiana dos cidadãos.

Como correspondente atento à conexão entre decisões em Roma e a vida nas ruas, registro que a iniciativa dos gazebos da Lega se apresenta como uma tentativa de derrubar barreiras burocráticas e construir um programa que altere a trajetória urbana de Milano. Resta saber se o processo de escolha produzirá um nome capaz de unir o centro-direita e traduzir, em políticas, o diagnóstico de crise que Salvini descreve.