Salvini rejeita 'lockdown energético' da UE e ataca von der Leyen: “Não fecho a Itália, UE comandada por cretinos”
Salvini rejeita o 'lockdown energético' proposto pela UE e acusa von der Leyen em duro ataque: 'Não fecho a Itália, UE comandada por cretinos'.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Salvini rejeita 'lockdown energético' da UE e ataca von der Leyen: “Não fecho a Itália, UE comandada por cretinos”
Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia
Matteo Salvini voltou a criticar duramente as propostas que circulam em Bruxelas para enfrentar a escalada dos preços da energia e rejeitou a hipótese de um lockdown energético que imporia restrições ao uso de transporte e ao aquecimento. Em discurso na inauguração da autoestrada Asti–Cuneo, em Roddi (província de Cuneo), o vice‑primeiro‑ministro e ministro das Infraestruturas afirmou, sem rodeios: “Não fecho a Itália porque a UE é comandada por cretinos”.
Salvini vinculou a atual crise energética às tensões internacionais — citando implicitamente a situação no estreito de Ormuz — e disse que o impacto sobre os custos para famílias e empresas italianas já é visível. Para o líder da Lega, a resposta europeia está equivocada: segundo ele, medidas como um dia de smart working obrigatório, restrições ao uso de automóveis privadas, incentivo exclusivo a ônibus e metrô e cortes no aquecimento configurariam, na prática, um racionamento que prejudicaria o país.
Salvini pediu uma revisão imediata das regras comunitárias que limitam a capacidade dos governos de intervir: “Se não mudam as regras europeias, se não tiram os limites de um maldito pacto de estabilidade que impedem de ajudar quem está em dificuldade, a Itália corre o risco de parar”. O ministro ressaltou a incoerência — na sua visão — entre a possibilidade de flexibilizar gastos para fins militares e a dificuldade de usar recursos para amparar cidadãos e empresas: “É uma loucura: poderíamos gastar bilhões para armas, mas não para proteger famílias e pequenas indústrias”.
Apesar do tom beligerante contra Bruxelas, Salvini disse categoricamente que o governo italiano não planeja impor bloqueios nacionais: “Não tenho intenção de fazer novos lockdowns”, afirmou, deixando claro que a linha oficial é evitar medidas generalizadas que limitem a mobilidade e a atividade econômica. No entanto, advertiu que, sem liberdade para usar fundos públicos domésticos, Roma poderia ter de agir unilateralmente.
O debate nas últimas horas incluiu esboços de propostas da Comissão Europeia para reduzir consumo e desperdício — entre elas, incentivos a transportes públicos, vouchers para famílias vulneráveis e medidas de eficiência energética — que já foram rotuladas por opositores como um lockdown energético. A proposta, ainda em discussão, prevê também cortes no aquecimento e mecanismos de compensação para os mais frágeis.
Como repórter atento à arquitetura das decisões que saem de Roma e atravessam fronteiras, observo que estamos diante de um choque entre dois alicerces: a urgência de proteger o bem‑estar social no âmbito nacional e os limites de uma governança europeia que muitos políticos italianos consideram rígida demais. A pergunta prática que fica para os cidadãos é simples — e tem o peso da caneta: quem irá garantir que não se derrubem barreiras burocráticas e se coloquem os recursos onde realmente são necessários?
Enquanto isso, a retórica contra Bruxelas tende a acirrar o debate sobre soberania fiscal e prioridades de gasto, abrindo espaço para possíveis confrontos entre Roma e a Comissão nas próximas semanas.
Atualizado em 21 de abril de 2026. Cobertura em desenvolvimento.