Santanchè entrega cargo a Meloni: “Obedeço; pago meus e os outros contas”

Santanchè renuncia ao Ministério do Turismo após pedido de Meloni: “Obedeço; pago os meus e outros contas”, diz ministra, sem processos em curso.

Santanchè entrega cargo a Meloni: “Obedeço; pago meus e os outros contas”

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Santanchè entrega cargo a Meloni: “Obedeço; pago meus e os outros contas”

Por Giuseppe Borgo — Em uma carta dirigida à presidente do Conselho, Giorgia Meloni, a ministra do Turismo, Daniela Santanchè, comunicou sua decisão de apresentar dimissão do ministério com sede em Via di Villa Ada. A decisão marca um desfecho rápido para um capítulo ministerial que, segundo a própria ministra, foi conduzido “ao melhor de suas possibilidades”.

No texto enviado à chefe do governo, Santanchè afirma: “Cara Giorgia, ti rassegno, come hai ufficialmente auspicato, le mie dimissioni dal ruolo di ministro che avevi voluto affidarmi e che credo di avere svolto al meglio delle mie possibilità e senza alcuna controindicazione. Ti ringrazio per i riconoscimenti e per la fiducia…”.

A ministra ressalta que quis tornar público que a saída foi pedida pela própria líder do partido, para preservar sua onorabilidade. Santanchè sublinha que mantém o seu “certificado penal” limpo e que, no caso relativo à cassa integrazione, não existe sequer um pedido de renúncia a julgamento (rinvio a giudizio).

Segundo a carta, ela inicialmente resistiu a uma demissão imediata. Santanchè declarou que não desejava que a sua saída fosse vinculada às críticas sobre o referendum — porque, em sua visão, não seria ela a causa da possível derrota, tendo obtido resultados favoráveis em regiões como Lombardia e até em seu município. Além disso, queria distanciar sua saída da outra controvérsia política que envolveu o deputado Del Mastro.

“Chiarito questo non ho difficoltà a dire ‘obbedisco’ e a fare quello che mi chiedi”, escreveu ainda a ministra, admitindo, porém, “un po’ di amarezza per l’esito del mio percorso ministeriale” e afirmando que, em sua vida, está acostumada a “pagar os meus contas e muitas vezes também os dos outros”. Ela termina lembrando a importância da amizade política com Meloni e o futuro do movimento.

Por ora, não há confirmação oficial sobre a convocação do Conselho dos Ministros, mas fontes governamentais não excluem que a reunião ocorra já no dia seguinte para avaliar uma substituição rápida no Ministério do Turismo. Nos corredores da maioria, cresce a hipótese de uma recomposição célere da equipe ministerial.

Em nota pública, o presidente do Senado, Ignazio La Russa, manifestou solidariedade a Santanchè: disse reconhecer o sentido de responsabilidade da ministra e justificou a demissão como um gesto não obrigatório, mas efetuado após o pedido da presidente do Conselho. La Russa reiterou que a situação judicial de Santanchè é desprovida tanto de condenações quanto de um simples rinvio a giudizio na questão da cassa integrazione.

Como correspondente de política que observa a arquitetura do poder, vejo nesta decisão a tensão entre o peso da caneta e a necessidade de preservar os alicerces coletivos do partido. A saída de Santanchè revela a dinâmica de uma coalizão que prefere, por ora, varrer tensões pessoais para a recomposição rápida do governo — uma operação de obra em que cada peça é reposicionada para manter a estabilidade do edifício político.

Continuarei acompanhando os desdobramentos sobre a possível nomeação de um substituto e as repercussões internas no partido e no governo. Assina, Giuseppe Borgo.