Após vitória do No, Schlein e Conte abrem caminho para primárias do centrosinistra

Schlein e Conte reagem à vitória do No: primárias abertas e análise do PD apontam que Meloni perde terreno rumo a 2027.

Após vitória do No, Schlein e Conte abrem caminho para primárias do centrosinistra

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Após vitória do No, Schlein e Conte abrem caminho para primárias do centrosinistra

Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia

Uma vitória que, embora não totalmente inesperada, surpreendeu pelo porte: o No no voto referendário desenhou um mapa político que obriga o governo a ler um recado duro das urnas. À frente dessa leitura, Elly Schlein afirma que existe uma alternativa ao governo de direita e que cabe ao centrosinistra assumir a «grande responsabilidade» de transformar esse impulso eleitoral em um projeto para 2027.

No comitê do Partito Democratico, na sala David Sassoli do Nazareno, a equipe analisa a distribuição do voto: uma Itália que aparece majoritariamente em vermelho do Sul ao Norte, com exceções em Veneto, Friuli Venezia Giulia e Lombardia. Imagens do mapa circulam de smartphone em smartphone, refletindo a afirmação do No e o fracasso dos apelos governistas à riforma.

Dirigentes do partido destacam pontos regionais significativos: o senador Michele Fina lembra que, mesmo na Abruzzo — governada pela formação de Meloni — o No resistiu; Antonio Misiani sublinha o revés em Bergamo e Milano; e Marco Sarracino não escondeu o otimismo já antes do fechamento das urnas: «O Meridione salvou o país», disse com ironia cínica aos colegas. Francesco Boccia, que vinha apostando no resultado, chegou a prever uma margem aproximada de 54 a 46 a favor do No.

Os números, ponderam os democratas, não se confundem com um voto político direto, mas indicam uma mensagem clara: «Meloni não tem a maioria no país», resume a leitura interna. No entanto, Elly Schlein evita pedidos de demissão imediata — nem para a primeira-ministra nem para o ministro Nordio — preferindo apontar que o Executivo deve refletir sobre as outras reformas em agenda, a começar pelo sistema elettorale e pelo premierato, reformas que ela define como prelúdio de um quadro institucional mais amplo.

Do outro lado do palco, em Campo Marzio, chega uma abertura concreta: Giuseppe Conte disse que está disponível para promover primarie, desde que façam parte de um percurso claro de construção do projeto e que se realizem com transparência. Conte sublinhou que as primárias devem ser «de popolo»: foi do povo, lembrou ele, que veio o «avviso di sfratto» a Meloni.

«Não podemos sufocar a vontade dos cidadãos de ser protagonistas», disse Conte, propondo primarie que não sejam meramente internas aos aparatos partidários, mas abertas à sociedade. Para ele, é necessário um amplo debate nacional para identificar o candidato mais competitivo e capaz de representar um programa unitário.

Em termos práticos, as forças do centrosinistra enfrentam agora a tarefa de transformar o resultado referendário em alicerces de uma alternativa política: construir um plano, derrubar barreiras burocráticas internas e criar pontes com os elettori. A chamada é para uma arquitetura política que traduza o peso da caneta nas urnas em projeto governativo — sem pirotecnia, com a disciplina de quem reconstrói direitos e responsabilidades.

O cenário segue em evolução: enquanto o PD decifra mapas e proclama leituras regionais, o convite às primarie de Conte abre uma via de participação direta que pode ser o cimento de uma candidatura unitaria para 2027. Resta ver se o apelo será acolhido como um processo de construção coletiva ou descartado como mera manobra interna. A política, como toda construção séria, exige alicerces sólidos — e esta noite o solo mudou.