Sondagem Piepoli: recuo de Meloni e Vannacci; oposição comemora crescimento de verdes
Sondagem Piepoli: caem Fratelli d'Italia e Futuro Nazionale; crescem Verdi e PD. Bollo auto e confiança em líderes internacionais dominam a semana.
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Sondagem Piepoli: recuo de Meloni e Vannacci; oposição comemora crescimento de verdes
Por Giuseppe Borgo — O último levantamento do Instituto Piepoli sobre as intenções de voto mostra um movimento sutil, mas significativo, na arquitetura eleitoral italiana: perdem terreno tanto o partido de Giorgia Meloni quanto a formação de Roberto Vannacci, enquanto a oposição encontra alguns alicerces para crescer.
Segundo o sondagem, o bloco de Fratelli d'Italia recua 0,5 ponto percentual, situando-se agora em torno de 27%. No mesmo compasso, o partido de Vannacci, Futuro Nazionale, registra queda de 0,5% e fica em 7,5%. Os demais partidos do governo se mantêm estáveis: a Lega permanece em 5,5% e a Forza Italia em 7,5%.
Do lado das oposições, o Partito Democratico segue como principal perseguidor com 20%, consolidando-se como o segundo maior polo de apoio. Em especial, registra-se uma subida para a Alleanza Verdi e Sinistra, que ganha 0,5% e alcança 7%. O Movimento 5 Stelle permanece estável em 12,5%.
Esses números foram colhidos numa semana marcada por eventos que mobilizaram a opinião pública. No topo do ranking de temas mais acompanhados está o debate sobre a suspensão, por um ano, do bollo auto (imposto sobre veículos) proposta pelo governo — uma medida criticada pela oposição como mera “bandierina” eleitoral — e que foi o foco para 29% dos entrevistados.
A crise económica aparece em segundo lugar com 15% das intenções de atenção, seguida pelas eleições na Alemanha e a ascensão da AfD na Saxônia, com 11%. Em quarto lugar ficou a morte da lenda do futebol Sandro Mazzola, que mobilizou 10% da amostra. Em quinto, com 7%, empataram o caso da jovem esfaqueada no Val d'Ossola, o conflito no Irã e a guerra na Ucrânia.
O levantamento também trouxe a confiança dos italianos em líderes internacionais. A maior parte manifesta desconfiança no presidente ucraniano Volodymyr Zelensky: 40% dizem não ter confiança alguma, 29% pouca confiança e 24% confiam. No topo do desagrado aparece o presidente russo Vladimir Putin, com 65% de desconfiança, 16% de pouca confiança e apenas 15% de avaliação positiva.
Na Casa Branca, a figura de Donald Trump registra 14% de confiança contra 65% de avaliação negativa. Já o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu tem 9% de confiança e 64% de sentimento negativo.
Em relação às medidas do governo, 53% dos entrevistados apoiam a decisão de abolir temporariamente o bollo auto. Outros itens da agenda executive mostram apoio relativo: a reforma escolar que prevê um limite máximo de estrangeiros por turma tem 47% de aprovação, e a proibição do uso do burqa nas escolas alcança 55% de apoio.
Como repórter que atua como ponte entre as decisões de Roma e a vida cotidiana, observo que esses números são parte da construção de expectativas eleitorais: cada ponto percentual é um tijolo na edificação do debate público. A queda de forças governistas centrais e o avanço de formações menores e verdes mostram um terreno político ainda em movimento — e com importantes consequências na arquitetura legislativa que virá.
O Instituto Piepoli confirma, portanto, um cenário de pequenas erosões e ganhos pontuais, onde decisões de governo (como a suspensão do bollo auto) e eventos internacionais moldam, dia a dia, a confiança dos cidadãos. A política continua a ser uma obra em construção — e cabe aos eleitores avaliar quais alicerces desejam ver erguidos.

