Vannacci responde a Trump e Meloni: “Pronto a dialogar, mas a soberania pertence à Itália”
Vannacci diz estar pronto a dialogar com Trump, mas reforça que a soberania deve permanecer na Itália; crítica a rótulos e posição sobre imigração e elegibilidade.
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Vannacci responde a Trump e Meloni: “Pronto a dialogar, mas a soberania pertence à Itália”
As tensões entre Donald Trump e Giorgia Meloni voltaram a polarizar o debate político italiano. Em entrevista exclusiva ao Giornale d'Italia, o general Roberto Vannacci rejeitou a ideia de que qualquer eventual chegada sua a Palazzo Chigi dependa do presidente norte-americano e reafirmou que a soberania deve permanecer nas mãos da nação e dos eleitores italianos.
Questionado sobre a hipótese de ser chamado por Trump — sobretudo após as críticas recentes do ex-presidente dirigido a Meloni — Vannacci foi direto: “Se eu viesse a ser primeiro-ministro, certamente não seria por causa de Trump ou para Trump. Espero sempre que a soberania permaneça no âmbito do nosso Estado, no âmbito das nossas eleições, sem essa teoria de conspiração que nos faria dependentes de potências externas”.
O general sublinhou que está disposto a conversar com líderes globais: “Estou pronto a dialogar com todos, também com o presidente Trump, que é um dos líderes mais influentes do mundo; mas espero que a soberania permaneça na nossa nação”. A provocação final foi direta: “Façam as contas: até ontem eu era putiniano, agora sou trumpiano?” — uma ironia sobre os rótulos que lhe foram aplicados.
O episódio ocorre no mesmo momento em que Trump voltou a atacar Meloni com um post polêmico, a poucos dias do cume da NATO em Ancara. O Palácio Chigi considerou as declarações do ex-presidente como “a enésima provocação” e afirmou que não responderia às provocações.
Vannacci explicou também os motivos de sua entrada na corrida às eleições europeias ao lado da Lega e de Matteo Salvini: “Candidato para dar um futuro às minhas filhas, combater a imigração descontrolada e tentar recompor relações com a Rússia. Não podemos repetir grandes erros como o green pass e a obrigatoriedade vacinal”. Esses pontos fazem parte de um projeto que, segundo ele, pretende reconstruir prioridades nacionais, “colocando os alicerces da lei e da proteção cidadã antes de interesses estrangeiros”.
Sobre questões técnicas de elegibilidade, Vannacci enfrenta questionamentos relacionados a suposta violação do código do ordenamento militar. O general esclareceu que, embora exista debate público, a legislação em vigor não impede sua candidatura às eleições europeias — questão que deverá ser analisada à luz da normativa específica aplicável ao pleito continental.
Como repórter atento à interseção entre decisões de Roma e vida dos cidadãos, observo que esta disputa de narrativas revela algo maior: a delicada arquitetura da soberania em tempos de influências externas. A política italiana está sendo construída e reformada dia a dia; cabe aos eleitores, como alicerces de qualquer democracia, decidir se querem derrubar barreiras burocráticas ou reforçar pontes com potências globais.
Em síntese, Roberto Vannacci assume postura de diálogo aberto — inclusive com Donald Trump — mas condiciona qualquer relacionamento internacional ao respeito à soberania italiana. É um recado claro: a caneta que define os destinos do país deve pesar aqui, em solo italiano, e não em influências externas.