Papa Leão XIV preside Via-Sacra no Coliseu e carrega a cruz em todas as estações; apelo contra as guerras

Papa Leão XIV conduz Via-Sacra no Coliseu, leva a cruz em todas as estações e lança apelo contra as guerras; Zelensky relata ataques durante ligação.

Papa Leão XIV preside Via-Sacra no Coliseu e carrega a cruz em todas as estações; apelo contra as guerras

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Papa Leão XIV preside Via-Sacra no Coliseu e carrega a cruz em todas as estações; apelo contra as guerras

Em Roma, na sexta-feira santa, Papa Leão XIV presidiu a liturgia da Paixão do Senhor às 17h na Basilica de São Pedro e, às 21h15, conduziu ao vivo a Via-Sacra no Coliseu, um dos ritos centrais da Semana Santa romana. A cerimônia trouxe uma novidade simbólica: o pontífice levou pessoalmente a cruz em todas as catorze estações, gesto de forte carga ritual e pastoral.

As meditações da Via-Sacra foram redigidas por padre Francesco Patton, ex-Custódio da Terra Santa, e buscavam articular memória, oração e responsabilidade diante da violência contemporânea.

Ao chegar à Basilica de São Pedro, antes de iniciar a celebração da Paixão do Senhor, Papa Leão XIV prostrou-se no chão; todo o conjunto de fiéis acompanhou o gesto ajoelhando-se. Depois de um breve tempo de oração, teve início a celebração. No momento da adoração do crucifixo, o pontífice subiu ao altar descalço, ajoelhou-se novamente e beijou o crucifixo, encerrando assim a liturgia com um gesto de penitência pública e devoção.

Na homilia da celebração da Paixão, o predicador da Casa Pontifícia, padre Roberto Pasolini, destacou que vivemos num tempo em que a voz de Deus «já não orienta como antes o caminho partilhado da humanidade». Pasolini apontou que tal fato não decorre do silêncio divino, mas de uma sobreposição de discursos que prometem segurança, progresso e bem-estar e que, na prática, orientam escolhas públicas e privadas.

O predicador traçou um diagnóstico seco: o mundo continua a ser «um lugar onde se sofre e se morre muitas vezes sem culpa e sem razão». As guerras prosseguem, as injustiças crescem e os mais frágeis pagam a conta. Segundo Pasolini, falta hoje «uma palavra capaz de manter unido o caminho da humanidade, um cântico que oriente nossos passos para um mundo mais justo e fraterno». Em seguida, acrescentou que, num tempo rasgado pela violência — onde até o nome de Deus é invocado para justificar guerras e decisões de morte — os cristãos são chamados a aproximar-se «sem medo e com plena confiança» da cruz do Senhor.

No mesmo dia, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky informou em redes sociais sobre uma conversa telefônica com Papa Leão XIV, na qual convidou o pontífice a visitar a Ucrânia para uma visita apostólica. Zelensky relatou que, durante a ligação, houve novo ataque russo contra seu país: «centenas de drones e dezenas de mísseis contra nossas cidades e comunidades», escreveu o presidente. Segundo ele, não houve «uma hora de paz» para o povo ucraniano; esse foi, nas palavras de Zelensky, o desdobramento da resposta russa à proposta de cessar-fogo para a Páscoa, que se transformou em intensificação dos ataques.

O balanço da jornada litúrgica e das mensagens oficiais aponta dois eixos claros: o gesto pontifical de carregar a cruz como chamada moral e pastoral, e o contexto geopolítico marcado por conflitos ativos que continuam a marcar as urgências humanitárias. Apuração in loco, cruzamento de fontes e os fatos brutos deixam claro que a simbologia religiosa foi também utilizada como plataforma para um apelo público contra a lógica da guerra.

Giulliano Martini, correspondente — Espresso Italia. Reportagem baseada em cerimônia na Basilica de São Pedro, homilia do padre Roberto Pasolini e comunicado do presidente Volodymyr Zelensky.