Papa Leone XIV defende desenvolvimento integral na África e repudia o neo-colonialismo
Papa Leone XIV pede desenvolvimento integral, cooperação internacional e rejeita o neo-colonialismo após viagem à África.
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Papa Leone XIV defende desenvolvimento integral na África e repudia o neo-colonialismo
Por Giulliano Martini — Em audiência geral nesta quarta-feira, o Papa Leone XIV fez um balanço preciso e direto de sua recente viagem ao continente africano, destacando lições espirituais e demandas concretas que emergiram dos encontros com autoridades e com as comunidades locais. A fala do Pontífice articulou, com clareza e sem floreios, preocupações socioeconômicas, religiosas e humanitárias.
Ao recordar a etapa inicial em Argélia, o Papa observou que foi recebido com “respeito e cordialidade” e sublinhou que a visita demonstrou ao mundo a possibilidade de conviver como irmãos e irmãs, inclusive entre religiões diferentes, desde que se reconheça a condição comum de filhos do mesmo Pai misericordioso. Nessa passagem, segundo o próprio Pontífice, houve também um retorno às raízes espirituais pessoais, em particular à escola de Santo Agostinho.
Leone XIV explicitou que a experiência argelina permitiu reforçar três pontes de caráter relevante para a Igreja e para a sociedade: a ponte com a época produtiva dos Padres da Igreja, a ponte com o mundo islâmico e a ponte com o continente africano. Em seguida, o Papa descreveu as visitas aos três países onde a população é, em larga maioria, cristã — com destaque para o Camarões — e onde foi recebido em clima de festa, marcado pela hospitalidade local.
No Camarões e nas demais paradas, a mensagem do Pontífice foi objetiva: o continente exige uma distribuição mais justa das riquezas, a criação de espaços efetivos para a juventude, e políticas firmes de combate à corrupção que corroem o tecido social. Em termos de desenvolvimento, Leone XIV sublinhou a necessidade de promover um desenvolvimento integral e sustentável, contrapondo-se explicitamente a formas modernas de domínio com uma visão alternativa baseada na cooperação internacional de longo prazo.
O Papa denunciou o que chamou de neo-colonialismo e pediu uma cooperação “lungimirante” que substitua práticas de exploração por parcerias que respeitem direitos e dignidade. Segundo ele, existe no continente “uma esperança que resiste” apesar das decepções provocadas por ideologias vazias e promessas não cumpridas — e essa esperança exige compromisso concreto, tanto da Igreja quanto das autoridades civis.
Em contato com governantes, incluindo representantes angolanos e de outros países visitados, Leone XIV reafirmou a disposição da Igreja Católica em continuar contribuindo nos setores sanitário e educativo, áreas nas quais o apoio institucional pode traduzir-se em resultados tangíveis e mensuráveis.
Entre os episódios mais marcantes relatados pelo Pontífice está a visita à prisão de Bata, na Guiné Equatorial, onde detentos entoaram cânticos de agradecimento ao Papa e a Deus, pedindo orações “pelos seus pecados e pela sua liberdade”. O momento culminou com a recitação do Pai Nosso sob chuva forte — imagem que o próprio Leone XIV definiu como um “sinal genuíno do Reino de Deus”. Ainda em Bata, o encontro com a juventude no estádio também teve início sob chuva, reforçando a dimensão popular e emotiva das visitas.
Ao concluir seu relato, o Papa dirigiu saudações aos fiéis de língua árabe, manifestando atenção especial aos provenientes do Líbano e reafirmando o compromisso pastoral da Igreja frente às dificuldades da região.
Esta síntese resulta de apuração in loco e cruzamento de fontes oficiais da Santa Sé e relatos das dioceses locais. Os fatos brutos expostos pelo Pontífice combinam apelo espiritual e diagnóstico político: uma chamada à ação que articula fé, justiça social e responsabilidade internacional.