Papa em Ponte Mammolo: “A guerra é pretensão absurda; não se pode usar o nome de Deus”

Papa em Ponte Mammolo: crítica à guerra e apelo à acolhida. Visita ao Sacro Cuore com ênfase em integração, Caritas e serviços a sem‑teto.

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Papa em Ponte Mammolo: “A guerra é pretensão absurda; não se pode usar o nome de Deus”

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Hoje, às 16h, Papa Leone XIV concluiu o ciclo de visitas às paróquias romanas com a missa e os encontros na paróquia do Sacro Cuore, em Ponte Mammolo, na área norte‑leste de Roma.

Recebido no pátio do oratório por crianças, jovens e suas famílias, o Pontífice percorreu os ambientes paroquiais, saudou doentes e manteve contato com uma representação dos pobres e dos sem‑teto que utilizam o serviço de chuveiros do complexo. Estavam presentes voluntários da Caritas e da Comunità di Sant'Egidio, que atuam no acompanhamento e integração dessas pessoas.

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A missa foi presidida por Papa Leone XIV, concelebrada pelo cardeal vigário Baldassarre Reina, pelo bispo eleito monsenhor Marco Valenti, pelo pároco don Francis Refalo e pelos párocos da prefetura. Após a celebração, o Pontífice encontrou‑se com idosos da comunidade.

Situada nas imediações do cárcere de Rebibbia, a paróquia opera em um bairro de perfil predominantemente operário e multicultural, onde a comunidade eclesial funciona como espaço de integração e iniciativa pastoral. Em termos práticos, os serviços oferecidos — acolhimento, chuveiros, ensino de italiano e acompanhamento — traduzem a atuação diária da igreja junto a migrantes, desempregados e pessoas em situação de rua.

No seu saudação espontânea no pátio, Papa Leone XIV dirigiu‑se também aos residentes que acompanhavam a visita de varandas e telhados: “Quero fazer um cumprimento especial a tantas pessoas nos balcões, nos tetos das casas; todos são convidados, todos são chamados. Podemos representar essa família que não conhece limites”. O Pontífice desculpou‑se pela limitação de lugares dentro da igreja.

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Em tom incisivo, o Papa afirmou que a paróquia representa o Corpo e o Coração de Jesus, e agradeceu aos que se dedicam ao suporte dos imigrantes, dos idosos e dos que perderam o trabalho: “Vocês são um sinal de esperança num mundo onde a dor e as dificuldades são muito grandes”, disse. Ele recordou o testemunho de uma senhora que perdeu tudo por causa da guerra, apontando a necessidade de comunidade como sinal de esperança.

Dirigindo‑se a doentes, deficientes, migrantes e sem‑abrigo, Papa Leone XIV advertiu contra a tentação de fechar portas: “Há hoje uma atitude que é fechar as portas, dizer ‘não’ — mas o Evangelho nos chama a outro espírito, o de Jesus: ‘Estava estrangeiro e me acolhestes’.” O Pontífice elogiou a iniciativa de cerca de cem comunidades, incluindo a paróquia local, que promovem acolhimento e integração, oferecendo serviços básicos e aulas de italiano.

Na homilia, o Santo Padre denunciou que “muitos de nossos irmãos e irmãs sofrem por conflitos violentos, provocados pela absurda pretensão de resolver problemas com a guerra. É preciso dialogar sem cessar pela paz”. O Papa ressaltou ainda a gravidade de quem “pretende envolver o nome de Deus nessas escolhas de morte”, sublinhando que “Deus não pode ser recrutado pelas trevas”.

A visita em Ponte Mammolo fecha o ciclo de cinco paróquias que antecederam a Páscoa, com ênfase nas práticas concretas de solidariedade e integração social. Estavam presentes, além das autoridades eclesiásticas citadas, representantes locais como Don Domenico Romeo e voluntários que atuam diariamente no território.

Relato objetivo e verificado: a ação pastoral descrita reúne elementos institucionais e sociais que confirmam a intensificação do engajamento das paróquias romanas em favor dos mais vulneráveis, com mensagens claras do Pontífice contra a guerra e contra o instrumentalismo do nome de Deus em conflitos.

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