61% dos italianos satisfeitos com onde vivem; periferias ganham nova valorização

Estudo aponta 61% de italianos satisfeitos com onde vivem; periferias bem servidas ganham preferência em relação ao centro.

61% dos italianos satisfeitos com onde vivem; periferias ganham nova valorização

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61% dos italianos satisfeitos com onde vivem; periferias ganham nova valorização

ROMA, 23 de abril de 2026 — Segundo o terceiro Relatório One Health intitulado "Il valore sociale delle città. Periferie vitali: la nuova frontiera del vivere urbano", realizado pelo Campus Bio-Medico de Roma em colaboração com o Instituto Piepoli e apresentado na Câmara dos Deputados, o cenário urbano italiano revela uma mudança sutil no compasso da vida cotidiana.

O estudo aponta que 61% dos italianos se declaram ao menos satisfeitos com o lugar onde vivem, embora apenas um em cada quatro, ou 25%, se diga muito satisfeito. Essa fotografia social traz nuances interessantes: enquanto o centro histórico conserva seu apelo, apenas 16% dos entrevistados escolheriam viver no pleno centro, e a preferência por uma periferia bem servida cresce — é a escolha de 30% dos cidadãos.

É como se o pulso da cidade respirasse de forma diferente: muitos percebem nas franjas urbanas um ar mais tranquilo, espaços verdes e menos sufocamento. As periferias aparecem revalorizadas pela presença de áreas verdes, menor poluição e uma sensação de comunidade que lembra raízes compartilhadas. Ainda assim, essa periferia ideal convive com uma contrapartida evidente: o isolamento e as lacunas em serviços essenciais.

O relatório identifica fatores decisivos na percepção do bem-estar urbano: tranquilidade e senso de comunidade; qualidade do ambiente e das áreas verdes; sensação de segurança; custo de vida adequado; serviços eficazes e oportunidades de socialização. Em contrapartida, as principais críticas dos cidadãos recaem sobre serviços, transportes, emprego e segurança.

Na perspectiva One Health, que integra saúde humana, ambiental e social, as cidades e suas periferias são vistas como ecossistemas que influenciam a qualidade de vida. Não se trata apenas de onde se mora, mas de como o espaço circundante alimenta o corpo e a mente — do mesmo modo que uma vinha precisa de solo fértil e água equilibrada para florescer, a vida urbana requer redes de serviço, mobilidade e laços sociais para prosperar.

Os dados do Campus Bio-Medico e do Piepoli convidam a uma reflexão prática: reimaginar as periferias não apenas como zonas de expansão ou passagem, mas como territórios com potencial para serás verdes contínuos, pontos de encontro e bairros onde a respiração da cidade encontra ritmo mais humano. Para que essa transformação seja plena, porém, será necessário intervir sobre as deficiências apontadas — melhorar o transporte público, ampliar serviços locais, gerar empregos e reforçar a sensação de segurança.

Em suma, a cidade ideal aos olhos dos italianos está se deslocando, levemente, em direção às margens. As periferias reclamam novos olhares: quando bem conectadas e cuidadas, podem ser o lugar onde as estações da vida acontecem com mais qualidade. É uma colheita de hábitos que pede cultivo: plantar serviços, regar com políticas públicas e colher comunidades vivas.

Redação Espresso Italia — Alessandro Vittorio Romano