Alerta de Verão: estudo mostra que mosquitos podem aprender a 'amar' o cheiro do DEET

Estudo indica que mosquitos Aedes aegypti podem associar o cheiro do DEET ao alimento, reduzindo a eficácia dos repelentes. Saiba o que fazer no verão.

Alerta de Verão: estudo mostra que mosquitos podem aprender a 'amar' o cheiro do DEET

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Alerta de Verão: estudo mostra que mosquitos podem aprender a 'amar' o cheiro do DEET

Com o verão em plena respiração, surge um alerta que mistura curiosidade e inquietação: alguns insetos — entre eles as temidas zanzare (mosquitos) — demonstram capacidade de aprendizagem e, surpreendentemente, podem começar a associar e até preferir o cheiro de substâncias usadas nos repelentes. Um estudo do Fralin Life Sciences Institute, na Virgínia, sugere que a exposição repetida ao odor do DEET poderia fazer com que o inseto associe esse cheiro à recompensa do alimento.

Todos os verões milhões de pessoas aplicam produtos à base de DEET para manter os mosquitos à distância. Mas os autores do trabalho, publicado no Journal of Experimental Biology, indicam um efeito inesperado: os mosquitos mostram plasticidade comportamental e, via condicionamento, podem ligar o aroma do repelente a uma experiência positiva — a alimentação.

O estudo foi conduzido por Clément Vinauger, professor associado do Virginia Tech, em colaboração com Claudio Lazzari, da Universidade de Tours, na França. "Se alguém aplica DEET e a concentração do composto diminui com o tempo, permitindo que o mosquito se alimente apesar da presença do odor, o inseto pode começar a associar esse cheiro a uma recompensa", explica Vinauger. É uma hipótese que, segundo os pesquisadores, deve ser levada em conta ao pensar no uso dos repelentes no dia a dia.

A pesquisa focou especialmente na Aedes aegypti, a espécie conhecida por transmitir doenças como dengue, Zika, febre amarela e chikungunya — enfermidades que afetam dezenas de milhões de pessoas ao ano. Para testar a hipótese, os cientistas realizaram um experimento inspirado no condicionamento pavloviano, o mesmo princípio que demonstrou como cães aprenderam a associar um som ao alimento.

No ensaio, os mosquitos foram imobilizados atrás de uma tela, com uma bolsa contendo sangue quente posicionada fora do seu alcance imediato. Depois que os insetos iniciavam a alimentação, os pesquisadores apresentavam o odor do DEET. O procedimento foi repetido quatro vezes; ao final, mais de 60% dos mosquitos treinados tentaram se alimentar quando expostos apenas ao cheiro do DEET.

Em etapas seguintes, as moscas tiveram a opção de escolher entre duas mãos humanas: uma sem tratamento e outra coberta com aplicações normais de DEET. Enquanto os mosquitos não treinados evitaram a mão tratada, os insetos condicionados demonstraram menos aversão e chegaram a se aproximar da mão com repelente — um sinal claro de que o odor, associado antes ao alimento, perdeu seu efeito de dissuasão e, em alguns casos, virou pista de atração.

As implicações são práticas e urgentes. Como a paisagem do verão se renova e as concentrações de repelentes variam com suor e água, existe a possibilidade concreta de que o uso rotineiro e subótimo de repelentes facilite mudanças comportamentais nos mosquitos. Isso não significa que devemos abandonar medidas de proteção, mas sim repensá-las: alternar princípios ativos, usar roupas protetoras, redes e barreiras físicas e reduzir criadouros de água parada continuam sendo atitudes essenciais para reduzir o risco de transmissão de doenças.

Enquanto isso, a investigação científica nos lembra que a natureza é uma colheita contínua de surpresas: o campo comportamental dos mosquitos é como um jardim que floresce e se adapta ao calor do nosso verão. Cabe a nós, com atenção sensível e prática, ajustar nossos hábitos para manter a cidade respirando em equilíbrio e proteger a nossa própria saúde.