Até 5 xícaras de café por dia não prejudicam o coração, diz estudo; perigo está em energéticos
Estudo da UCSF diz que até 400 mg de cafeína (3-5 xícaras de café filtrado) não aumenta risco cardíaco; perigo maior vem de energéticos.
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Até 5 xícaras de café por dia não prejudicam o coração, diz estudo; perigo está em energéticos
Por Alessandro Vittorio Romano – Em meio ao debate sobre o futuro das cápsulas de café, impulsionado pela declaração de Giuseppe Lavazza ao Financial Times — de que os consumidores compram "menos, mas melhor", migrando para grãos inteiros e máquinas com moedor — chega da ciência uma notícia que convida a um novo olhar sobre um hábito cotidiano. Um estudo publicado na revista Circulation, conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco e liderado por Gregory Marcus, Frank Hue e Rob van Dam, conclui que consumir até 400 mg de cafeína por dia — o equivalente a cerca de 3 a 5 xícaras de café preto filtrado — não parece aumentar os riscos para o coração.
Os autores fizeram uma revisão cuidadosa da literatura recente sobre os efeitos do café e da cafeína em parâmetros como pressão, colesterolemia, diabetes e arritmias. Eles ressaltam, porém, a complexidade de separar os impactos da cafeína daqueles de outros compostos presentes na bebida — como antioxidantes benéficos — ou do cafestol, substância presente no café não filtrado associada ao aumento do colesterol LDL. Adicionantes comuns, como leite e açúcar, também mudam o perfil do consumo.
Em outras palavras, a tradição da xícara matinal tem nuances: uma preparação filtrada e sem aditivos tende a exibir riscos cardiovasculares baixos dentro do limite de 400 mg diários. Já quantidades massivas de cafeína, frequentemente encontradas em bebidas energéticas, representam um alerta — esses produtos podem provocar efeitos nocivos ao coração e merecem cautela.
Os pesquisadores salientam a necessidade de estudos adicionais para entender como a sensibilidade à cafeína varia com a genética e a idade, e para avaliar os efeitos de outras fontes de cafeína, como chás, suplementos e as próprias bebidas energéticas. É uma chamada para aprofundar a investigação, sem demonizar a rotina do café, que para muitos é uma pequena cerimônia diária.
Como um observador que liga os ciclos da paisagem aos ritmos do corpo, proponho olhar para essa conclusão como se fosse a colheita de um hábito bem cultivado: o prazer da xícara pode coexistir com o cuidado pela saúde, desde que se conheçam os limites e as variações individuais. Trocar cápsulas por grãos inteiros, apreciar o método de filtragem e evitar excessos de produtos altamente concentrados em cafeína são escolhas que protegem o coração e enriquecem a experiência sensorial do cotidiano.
Em suma: desfrute do seu café — com atenção. O estudo da UCSF traz alívio para os amantes do filtro, e um aviso para quem busca estímulos nas latas energéticas. A respiração da cidade, e do corpo, agradece equilíbrio.