Piora da saúde das gengivas na Itália: casos graves de parodontite sobem 50% em 30 anos
Aumentam 50% os casos graves de parodontite na Itália em 30 anos; especialistas alertam para prevenção e terapias conservadoras em Rimini.
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Piora da saúde das gengivas na Itália: casos graves de parodontite sobem 50% em 30 anos
Por Alessandro Vittorio Romano - Espresso Italia
Na respiração cotidiana das cidades e na rotina íntima dos lares, há sinais sutis que revelam a saúde que carregamos por dentro. Em 20 de março de 2026, na ocasião do Dia Mundial da saúde oral, especialistas alertam para um agravamento preocupante: a saúde das gengivas dos italianos tem se deteriorado, com um aumento de aproximadamente 50% nos casos de parodontite grave nas últimas três décadas.
Dados globais mostram que a parodontite severa praticamente dobrou em 30 anos, passando de 559 milhões para 1,1 bilhão de pessoas — cerca de 14% da população mundial. Em solo italiano, a evolução acompanha essa tendência: de pouco mais de 6 milhões de pessoas com formas avançadas da doença há 30 anos, hoje são cerca de 9 milhões, correspondendo a 15,7% da população adulta.
O quadro italiano contrasta com outros países europeus: Espanha registra 4%, Reino Unido 8,5%, França 11% e a Alemanha, entre as mais afetadas, chega a 24%. Esses números foram discutidos pelos especialistas da Società Italiana di Parodontologia e Implantologia (SIdP), reunidos em Rimini para o 24º Congresso Nacional, que aproveitam a data global para enfatizar que a prevenção é hoje a arma mais eficaz contra a progressão das doenças gengivais.
Os pesquisadores lembram que a parodontite surge muitas vezes da evolução de gengivites não tratadas e que o peso dessa doença extrapola a boca: ela compõe o leito de doenças crônicas não transmissíveis, tema recentemente reconhecido pela Assembleia-Geral das Nações Unidas ao incluir a saúde oral entre prioridades de políticas públicas.
Entre as mensagens do congresso estão o chamado ao reforço das campanhas de prevenção, educação em saúde bucal e o avanço de terapias conservadoras que priorizem preservar os próprios dentes e o tecido de suporte. É um convite para que cada um cultive hábitos simples — escovação correta, uso do fio dental, visitas regulares ao dentista — como quem rega um jardim para evitar que as raízes se enfraqueçam.
Como observador atento dos ritmos do cotidiano, vejo essa tendência como um reflexo do nosso tempo: a pressa e as prioridades desencontradas que fazem com que o cuidado diário com o corpo seja adiado. A melhora passa por pequenas práticas transformadoras que dialogam com o nosso tempo interno e com a respiração da cidade. Cuidar das gengivas é cuidar da qualidade de vida, da fala, da alimentação e do sorriso — é preservar a paisagem íntima que nos acompanha todos os dias.
Para os profissionais reunidos em Rimini, a mensagem é clara: é preciso transformar estatísticas em ação. Políticas públicas, campanhas de sensibilização e a oferta de terapias menos invasivas podem frear um inverno crescente na saúde oral e abrir espaço para uma verdadeira primavera de bem-estar.
Em suma, a parodontite grave não é apenas um problema odontológico isolado; é um indicador sensível das escolhas de saúde coletiva. Reconhecê-la cedo, tratá-la e preveni-la é semear hábitos que florescerão no corpo e na cidade.


