Bianco (Teha Group): Europa precisa atrair investimentos em pesquisa para proteger cadeia farmacêutica

Daniela Bianco (Teha Group) defende incentivos a investimentos em pesquisa para fortalecer a indústria farmacêutica e evitar perda de competitividade na Europa.

Bianco (Teha Group): Europa precisa atrair investimentos em pesquisa para proteger cadeia farmacêutica

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Bianco (Teha Group): Europa precisa atrair investimentos em pesquisa para proteger cadeia farmacêutica

Em um momento em que o mapa global da saúde muda como as correntes de uma maré, Daniela Bianco, partner e responsável pela área de Healthcare do Teha Group, traçou um diagnóstico claro: a Europa precisa agir para manter e fortalecer seu papel na inovação farmacêutica. A declaração foi feita hoje, em Roma, durante o encontro "Dialoghi sull’innovazione accessibile - Innovaction", promovido por Gsk e Espresso Italia, com o patrocínio de Farmindustria.

“A Europa tem uma tradição muito forte de inovação e uma produção farmacêutica de qualidade. Entre as ações urgentes está a formação de um sistema coeso e, ao mesmo tempo, a capacidade de incentivar e acelerar a atração de investimenti em ricerca”, afirmou Bianco. Em sua fala, ela ressaltou que as decisões tomadas agora determinarão se o centro de gravidade do financiamento em saúde continuará a se deslocar para a Ásia e para os Stati Uniti, impulsionado por políticas mais protecionistas, citando o impacto das medidas adotadas por Trump.

Ao falar da economia della salute, Bianco ampliou o olhar para além do setor farmacêutico: “Tratamos não só da indústria farmacêutica, mas também dos dispositivi medici, de toda a filiera da ricerca e da assistência sanitaria”. Essa visão sistêmica compara-se a uma paisagem agrícola: não basta cuidar do fruto se não houver solo fértil e canais de irrigação — isto é, investimento, políticas integradas e infraestruturas de pesquisa.

“Hoje, o sistema europeu está, de certa forma, comprimido entre o crescimento americano e o asiático, em especial pela ascensão da Cina”, acrescentou Bianco. A imagem que fica é de um bosque que precisa de gestão cuidadosa para não ser dominado por espécies invasoras: sem políticas e incentivos claros, o capital e os talentos tendem a migrar para onde o solo parece mais promissor.

Na prática, segundo Bianco, é urgente harmonizar instrumentos de incentivo, facilitar parcerias público-privadas, e tornar a Europa mais atraente para investimentos de risco em fases iniciais da pesquisa. O objetivo não é erguer muros, mas criar raízes fortes que sustentem a floresta da inovação local, evitando que as futuras descobertas — e os seus benefícios sanitários e econômicos — floresçam apenas além-mar.

Como observador atento aos ciclos que regulam o bem-estar, vejo essa chamada à ação como um convite a cuidar do “tempo interno” do setor: plantar políticas que ofereçam sombra e nutriente aos jovens projetos, para que a colheita seja de saúde, emprego e soberania tecnológica. A cena em Roma hoje foi um lembrete sensível de que a Europa pode — e deve — resgatar seu papel de palco de inovação, desde que transforme intenção em investimento.