Calor extremo eleva até 20% os atendimentos psiquiátricos em Prontos Socorros, alertam Simeu e Siep
Calor extremo aumenta até 20% os atendimentos psiquiátricos em Prontos Socorros; Simeu e Siep pedem inclusão de transtornos mentais em planos de prevenção.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Calor extremo eleva até 20% os atendimentos psiquiátricos em Prontos Socorros, alertam Simeu e Siep
O calor extremo que tem marcado o verão italiano deixou suas marcas não apenas na paisagem e nas ruas que respiram lento, mas também na saúde das pessoas. Segundo nota conjunta da Simeu (Sociedade Italiana de Medicina de Emergência-Urgência) e da Siep (Sociedade Italiana de Epidemiologia Psiquiátrica), alguns Prontos Socorros registraram um aumento de até 20% de acessos por distúrbios psiquiátricos em comparação com três anos atrás. É um sinal claro de que o efeito do calor sobre a saúde mental não é um evento isolado, mas uma tendência estrutural.
Como um dia de verão que pressiona o ar e altera o ritmo da cidade, as ondas de calor podem agravar ansiedade, transtornos do humor e outras condições psiquiátricas, além de favorecer descompensações psicóticas, crises depressivas e comportamentos autolesivos. Simeu e Siep pedem atenção: pessoas com transtornos mentais devem ser incluídas de forma explícita entre as categorias fragilizadas nos planos nacionais de prevenção dos efeitos do calor.
Há fatores biológicos e sociais em jogo. No plano farmacológico, merece destaque o papel dos psicofármacos. Medicamentos com ação anticolinérgica podem reduzir a sudorese e, assim, prejudicar a regulação térmica, elevando o risco em dias quentes. Mas, talvez mais frequente e perigoso, é o abandono improprio ou autogerido das terapias: suspender medicamentos sem orientação é uma das principais causas de recaída que leva ao Pronto Socorro.
Além disso, o calor expõe de forma desigual quem já vive em margens mais frágeis da cidade. O isolamento social e a precariedade habitacional tornam as pessoas com transtornos mentais mais vulneráveis — como uma planta que, sem solo adequado, sofre quando a estação é dura. Do mesmo modo, a respiração da cidade, mais lenta sob o calor, reduz redes de apoio e vigilância, dificultando a detecção precoce de crises.
As recomendações que emergem dessa constatação são práticas e humanas: reconhecer e priorizar pessoas com transtornos mentais nos planos de prevenção ao calor; revisar e orientar sobre o uso de psicofármacos em cenários de alta temperatura; manter acompanhamento e apoio social, especialmente para quem vive sozinho ou em habitações inadequadas; e reforçar a formação das equipes de emergência para identificar sinais de descompensação relacionados ao calor.
Como observador atento, proponho também uma leitura mais sensível da paisagem humana durante as ondas de calor. Não se trata apenas de números; é a colheita de hábitos, a respiração lenta das ruas e a fragilidade que se revela quando o termômetro sobe. Em meio a esse quadro, pequenos gestos — checar um parente, garantir sombra e hidratação, não interromper terapias sem orientação — podem evitar que uma crise se transforme em emergência.
Em resumo, o verão ensina que o corpo e a cidade estão em diálogo: a emergência é um espelho do que acontece quando o ambiente pressiona o equilíbrio. Reconhecer a saúde mental como parte integrante das estratégias de adaptação ao calor é cuidar da raiz do bem-estar coletivo.