Aumento nos cuidados paliativos pediátricos amplia número de pacientes e prolonga expectativa de vida
Aumento de pacientes em cuidados paliativos pediátricos e anos a mais de vida graças à pesquisa e tecnologia; dados e perspectivas do congresso em Roma.
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Aumento nos cuidados paliativos pediátricos amplia número de pacientes e prolonga expectativa de vida
Em um cenário em que a cidade respira e se adapta aos ritmos da vida, cresce também a atenção dedicada aos pequenos que enfrentam doenças complexas. Segundo Franca Benini, docente em Pediatria na Universidade de Pádua e diretora do Centro regional do Vêneto para Terapia da dor e cuidados paliativos pediátricos, há um aumento claro no número de crianças elegíveis para essas intervenções, que visam garantir a melhor qualidade de vida possível.
A declaração foi dada à ANSA durante o segundo dia do congresso internacional organizado pela Fondazione Maruzza, em Roma, cujo tema foi “Unire la cura: dalla ricerca alla pratica clinica”. No encontro, profissionais, famílias e pesquisadores traçaram um panorama que une ciência, tecnologia e cuidado humano — como se cada avanço científico fosse uma semente plantada na terra fértil do cotidiano das famílias.
Os dados apresentados compõem esse mapa de necessidades: no mundo, mais de 21 milhões de crianças requerem cuidados paliativos e apenas cerca de 5% delas têm acesso regular a esses serviços. Na Itália, as estimativas apontam para aproximadamente 35.000 menores com doenças incuráveis ou de alta complexidade assistencial, dos quais mais de 11.000 apresentam necessidades especializadas complexas.
Além do aumento na elegibilidade, Benini destacou que a combinação de pesquisa e tecnologia tem empurrado para cima a linha do tempo da vida dessas crianças. “Estamos a viver um tempo em que a sobrevida das crianças tratadas por equipes especializadas alonga-se por vários anos”, disse a especialista, lembrando que esse ganho não é apenas quantitativo: traduz-se em mais momentos de convivência, possibilidades de desenvolvimento e oportunidades para que as famílias colham hábitos de cuidado com maior serenidade.
O modelo de atenção envolve profissionais capacitados que atuam tanto no domicílio quanto em estruturas especializadas, criando circuitos de cuidado que respeitam o ritmo do corpo e a respiração das famílias. A prática clínica que une pesquisa e implementação é, aqui, como um caminho que se abre ao longo das estações: exige escuta, adaptação e uma rede onde a ciência encontra o calor humano.
Para além dos números, o congresso serviu como palco para discutir políticas, capacitação e formas de ampliar o acesso — sobretudo para que o benefício desses avanços chegue às comunidades mais distantes e vulneráveis. A voz dos profissionais e das associações presentes reforçou a necessidade de investimentos sustentados em tecnologia, formação e serviços domiciliares integrados.
Como observador atento das interações entre ambiente e bem-estar, vejo esse movimento como uma colheita gradual: cada protocolo melhorado, cada equipe treinada, cada dispositivo que prolonga um sorriso, compõem as raízes de uma prática que sustenta vidas. A esperança, moldada pela pesquisa e acariciada pela prática, transforma o que antes parecia apenas um inverno de dificuldades em um campo onde é possível semear qualidade de vida para muitas famílias.

