De Donno e a controvérsia do plasma: hipótese sobre plasma de vacinados e risco de trombose

Releitura da tese atribuída ao Dr. De Donno: alegado uso de plasma de vacinados em monoclonais e possível risco de trombose, entre ciência e economia.

De Donno e a controvérsia do plasma: hipótese sobre plasma de vacinados e risco de trombose

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De Donno e a controvérsia do plasma: hipótese sobre plasma de vacinados e risco de trombose

Por Alessandro Vittorio Romano — Em meio à respiração lenta das cidades e às estações que marcam ciclos de recuperação, volta à tona uma reconstrução que mistura ciência, economia e um destino pessoal trágico. Atribui-se ao pneumologista de Mantova, Giuseppe De Donno, a afirmação de que o material biológico usado para produzir certos anticorpos terapêuticos não partiria de doadores naturalmente convalescentes, mas sim de indivíduos vacinados. Segundo essa linha, o uso do plasma oriundo de vacinados poderia acarretar efeitos adversos, entre os quais a trombose.

De Donno ficou conhecido na pandemia por defender o uso do plasma iperimmune — o sangue de quem havia vencido a infecção, carregado de uma memória imune natural — como recurso terapêutico para pacientes com Covid-19. A reconstrução hoje divulgada sustenta que ele teria distinguido, de forma nítida, dois caminhos: de um lado o plasma iperimmune de doadores curados; do outro, os anticorpi monoclonali sintéticos, fabricados industrialmente, muitas vezes ligados a patentes e custos elevados.

Na análise atribuída ao médico, a diferença entre as origens não seria apenas técnica, mas também clínica: a origem dos anticorpos poderia influenciar perfis de segurança nos pacientes receptores. Entre os riscos citados na tese aparece a possibilidade de eventos trombóticos, hipótese que, na linguagem do cotidiano, questiona se o corpo reagiria de modo diverso a anticorpos gerados por infecção natural versus anticorpos derivados de um sistema imune estimulado por vacina.

É importante sublinhar que essa é uma reconstrução atribuída a De Donno e que, do ponto de vista jornalístico, deve ser apresentada como afirmação e não como prova fechada. O próprio tema toca em áreas sensíveis: ciência de ponta, comunicação de riscos e também interesses industriais. A irmã do médico e colegas sustentam que o uso do plasma iperimmune foi marginalizado por razões econômicas, já que tratamentos padronizados e patentáveis teriam maior retorno comercial do que doações altruístas — uma narrativa que confronta o gesto comunitário da doação com a engrenagem empresarial da biotecnologia.

Além do aspecto econômico, há um pano de fundo clínico e antropológico: artigos e estudos citados no debate sugerem que, para alguns pacientes, o problema central pode não ser apenas o vírus, mas uma resposta imune persistente que se traduz em sintomas crônicos — fadiga, "neblina" cognitiva, dores — como se o corpo guardasse, em sua memória, uma estação fria que não passa. Essa abordagem reforça a necessidade de escutar tanto dados clínicos robustos quanto relatos humanos, o que nos lembra que a medicina transita entre provas e experiência.

De Donno morreu por suicídio em 2021, um desfecho que acrescenta um tom de sombra à discussão: um médico que virou símbolo de uma terapia, depois silenciado. Ao revisitar essa história, a cityanidade que observo — a respiração coletiva entre hospitais, laboratórios e famílias — pede cautela. As perguntas sobre origem do plasma, segurança dos anticorpi monoclonali e interesses econômicos permanecem e merecem investigação científica rigorosa, diálogo transparente e respeito às pessoas diretamente envolvidas.

Enquanto isso, a paisagem do cuidado continua a mudar como as estações: precisamos colher dados com a sabedoria de quem entende que saúde é também um ecossistema, onde memória imunológica, decisões industriais e responsabilidade clínica se entrelaçam.