Di Silverio (Anaao Assomed): é necessário um plano Marshall e revisão do serviço de cuidados
Di Silverio (Anaao Assomed) pede um plano Marshall para a saúde: revisão dos modelos organizacionais, do cuidado ao paciente e das condições de trabalho.
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Di Silverio (Anaao Assomed): é necessário um plano Marshall e revisão do serviço de cuidados
Em Roma, durante o convegno "Espresso Italia Q&A - Salute, prevenzione e risorse: le sfide", Pierino Di Silverio, secretário da Anaao Assomed, lançou um apelo que ressoa como um chamado à mudança: «Occorre un vero e proprio piano Marshall per la sanità». Em palavras simples, ele sublinhou que o atual serviço de cuidados italiano já tem a idade de 48 anos e não comporta mais os desgastes acumulados ao longo de décadas.
Como alguém que observa a rotina da saúde com a sensibilidade de quem percebe a respiração da cidade e os ritmos do corpo coletivo, vejo nessa declaração a imagem de um sistema que precisa ser replantado, não apenas remendado. Di Silverio apontou para a necessidade de uma profunda revisão dos modelos organizacionais, da tomada em carga do paciente e dos próprios modelos de trabalho dos profissionais. Segundo ele, os profissionais de saúde estão cada vez mais cansados e desmotivados, como uma colheita que não teve tempo de se regenerar.
Falou-se de reinvenção: queremos um sistema que acompanhe o paciente como se acompanhasse uma paisagem em transformação, com continuidade, proximidade e cuidado integrado. A crítica de Di Silverio não é apenas sintomática; é também uma orientação prática. Modelos antiquados de organização hospitalar e de serviços territorializados, somados a jornadas exaustivas, corroem a energia daqueles que deveriam ser o coração pulsante do atendimento.
O conceito de um plano Marshall para a saúde sugere investimentos maciços, renovação de estruturas, formação e, sobretudo, uma estratégia que reconecte prevenção, recursos e bem-estar profissional. Não se trata só de erguer prédios ou comprar equipamentos: trata-se de redesenhar caminhos de cuidado que respeitem o tempo interno do corpo do paciente e a respiração dos profissionais.
Em minha observação, a mudança necessária passa por três frentes complementares: modernização organizacional, foco real na continuidade do cuidado e criação de modelos laborais que devolvam sentido e sustentabilidade ao trabalho clínico. Só assim será possível converter a fadiga em resiliência e a desmotivação em compromisso renovado.
Di Silverio, ao lembrar os 48 anos de idade média do sistema, lançou um alerta que ecoa pelas ruas de Roma e além: é preciso coragem política, investimento e visão para plantar uma nova safra de saúde pública. Como quem acompanha as estações, conclamo por um tempo de semeadura consciente — porque sanar o cansaço de quem cuida é também devolver dignidade a quem é cuidado.