Difterite: sintomas, formas de contágio e como a vacinação protege você

Entenda a difterite: sintomas, transmissão, tratamento e por que a vacinação é a melhor prevenção contra essa doença grave.

Difterite: sintomas, formas de contágio e como a vacinação protege você

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Difterite: sintomas, formas de contágio e como a vacinação protege você

Por Alessandro Vittorio Romano — A difterite é uma infecção aguda e potencialmente fatal causada pelo bacilo Corynebacterium diphtheriae. Quando entra no nosso corpo, esse microrganismo libera uma toxina diftérica capaz de provocar necrose de tecidos e, se espalhada pela corrente sanguínea, atingir órgãos vitais. Como um vendaval que varre uma plantação, a toxina pode danificar estruturas que sustentam a vida, com efeitos que vão da superfície da garganta até o coração.

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Há diferentes apresentações da doença: a forma respiratória, que atinge sobretudo a garganta, o nariz e às vezes as amígdalas; e a forma cutânea, mais comum em áreas tropicais, que provoca úlceras da pele. Em casos mais raros, as mucosas vaginal e conjuntival também podem ser afetadas. O Instituto Superior de Saúde (ISS) ressalta que, apesar de poder acometer qualquer idade, a difterite costuma atingir essencialmente crianças não vacinadas, e em climas temperados sua circulação aumenta nos meses de inverno — como se a cidade fechasse suas janelas e o ar tornasse mais propício ao contágio.

Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, em 2022 foram registrados três casos de C. diphtheriae toxigênico na Itália, todos importados: dois com apresentação cutânea e um com manifestações respiratórias e cutâneas, dos quais dois tiveram confirmação microbiológica pelo ISS.

O contágio ocorre principalmente por contato direto com uma pessoa infectada e, em menor frequência, por objetos contaminados por secreções das lesões. Historicamente, o leite não pasteurizado também foi veículo de transmissão. O período de incubação varia entre dois e cinco dias — um intervalo em que a doença germina silenciosa, aguardando a estação propícia para aparecer.

Quando a infecção atinge o trato orofaríngeo, os primeiros sinais costumam ser dor de garganta, perda de apetite e febre baixa. Em dois ou três dias surge a marca característica: uma membrana acinzentada sobre as amígdalas e a garganta, com margens inflamadas. Essas placas podem sangrar e, às vezes, adquirir coloração esverdeada ou escura. Inchaço do pescoço e obstrução das vias respiratórias são sinais de gravidade imediata.

Embora muitas vezes a doença tenha evolução benigna, complicações graves podem ocorrer, sobretudo cardíacas: arritmias, miocardite e insuficiência cardíaca progressiva, com risco de parada cardíaca. Por isso, a difterite deve ser lembrada na diferenciação com faringites virais e bacterianas, mononucleose, sífilis oral, candidíase e angina de Vincent. O diagnóstico definitivo exige o exame bacteriológico das lesões.

O tratamento imediato combina a administração de antitoxina e antibióticos (eritromicina ou penicilina), além de isolamento do doente para evitar a disseminação. Em geral, após duas dias de terapia adequada, o paciente deixa de ser contagioso — como se, após chuva intensa, a paisagem respirasse aliviada.

A medida preventiva mais eficaz permanece a vacinação. Disponível desde a década de 1920, a vacina contém a toxina inativada (toxóide) e faz parte do calendário vacinal infantil, com reforços na vida adulta conforme as recomendações. A proteção coletiva criada pela vacinação é a raiz que impede que a doença floresça novamente em nossas comunidades.

Viver bem na Itália é entender o tempo interno do corpo e a respiração das cidades: cuidar de vacinas, observar sintomas e buscar atendimento precoce é cuidar da nossa paisagem humana, das gerações que virão e das estações ainda por colher.

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