Distúrbios do sono aumentam em 5 vezes o risco de quedas, aponta estudo italiano

Estudo italiano revela que distúrbios do sono aumentam em 5 vezes o risco de quedas e elevam problemas sensoriais e ansiedade.

Distúrbios do sono aumentam em 5 vezes o risco de quedas, aponta estudo italiano

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Distúrbios do sono aumentam em 5 vezes o risco de quedas, aponta estudo italiano

Por Alessandro Vittorio Romano — Um sono mal reparador não é apenas uma sensação de cansaço ao acordar: é também um alerta que se reflete no corpo como se fosse a respiração da cidade em um dia pesado. Uma pesquisa italiana liderada pelo otorrinolaringologista Luciano Bubbico, do Instituto Nacional de Análise das Políticas Públicas (Inapp), traz evidências de que a sonolência diurna e a fadiga crônica associadas a distúrbios do sono elevam em mais de cinco vezes o risco de .

Publicado na revista do próprio instituto, Sinappsi, o estudo analisou uma amostra representativa de 45.000 pessoas entre 18 e 74 anos. Entre os entrevistados, 32% relataram sofrer de sonolência e cansaço diurno; desses, 56% referiram distúrbios crônicos do sono no último ano. No grupo com sonolência, 23% informaram ter sofrido quedas acidentais — um índice superior em mais de cinco vezes à média da população estudada.

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Mas as quedas não aparecem sozinhas: quem apresenta sonolência também relatou um aumento expressivo de outros sintomas sensoriais e emocionais. Foram observados quadros de distúrbios visuais em 34% dos casos, problemas de equilíbrio em 31%, dificuldades auditivas em ambientes ruidosos em 29% e sintomas de ansiedade em 29%.

Como um jardineiro que percebe as raízes ao adubar a superfície, Bubbico destaca a novidade do estudo: a integração dos dados sobre quedas com sinais sensoriais — visuais, auditivos e vestibulares — é inédita e revelou correlações estatisticamente significativas. Traduzindo para o cotidiano, a falta de sono não só embota a atenção como fragiliza os sentidos que nos mantêm firmes no mundo.

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O pesquisador explica também que o elo entre sono e quedas é possivelmente bidirecional. O sono é regulado por um relógio cronobiológico no hipotálamo, que gerencia a transição entre os sistemas simpático e parassimpático. Em termos práticos: o organismo costuma ativar o sistema simpático por volta das 9-10h da manhã, aumentando hormônios e vigilância. Quando esse ritmo interno é perturbado, a coordenação sensorial e o equilíbrio podem falhar, transformando a paisagem diária em terreno mais escorregadio para acidentes.

As implicações são amplas. Além de apontar um novo caminho para intervenções de saúde pública, os achados podem informar estratégias de prevenção de acidentes no trabalho, no trânsito e em casa — especialmente na prevenção de quedas entre idosos, onde o componente vestibular já era reconhecido. Em outras palavras, cuidar do sono é cuidar das nossas raízes: melhora a atenção, afina os sentidos e reduz riscos evitáveis.

Como observador atento da vida cotidiana, concluo que ouvir o próprio ritmo — respeitar o tempo interno do corpo — é uma pequena colheita diária que preserva segurança e qualidade de vida. Estudos futuros devem aprofundar mecanismos e intervenções, mas a mensagem já é clara: a noite mal dormida pode transformar o dia em um terreno menos seguro.

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