Doença celíaca: caminho para diagnóstico sem biópsia pode chegar aos adultos
Novas diretrizes podem permitir diagnóstico sem biópsia em adultos com doença celíaca; avanços em biomarcadores e prevenção prometem mudanças.
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Doença celíaca: caminho para diagnóstico sem biópsia pode chegar aos adultos
Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma paisagem onde a saúde pública respira com os ciclos da vida, surgem sinais de que o diagnóstico da doença celíaca pode tornar-se menos invasivo também para adultos. Dados apresentados por Fabiana Zingone, da Università di Padova e representante da Società Italiana di Gastroenterologia ed Endoscopia Digestiva (SIGE), no Congresso nacional das Doenças Digestivas promovido pela FISMAD, apontam para critérios que ampliam a prática já consolidada em crianças.
As novas diretrizes europeias propõem, pela primeira vez, a possibilidade de um diagnóstico sem biópsia em adultos selecionados: pacientes com menos de 45 anos, sem sinais de alarme e acompanhados em centros de referência, cuja dosagem de anticorpos anti-transglutaminase IgA exceda em mais de dez vezes o valor de referência e seja confirmada por um segundo exame. É um passo que, como o desabrochar da primavera, simplifica o caminho de muitos, reduzindo procedimentos invasivos para quem já apresenta sinais biomarcadores robustos.
Paralelamente, a pesquisa avança em busca de novos indicadores. A liberação de interleucina-2 no sangue imediatamente após a exposição ao glúten surge como um marcador promissor: além de auxiliar no diagnóstico, pode servir ao monitoramento de pacientes em dieta sem glúten e ajudar a definir quais pequenas quantidades de glúten são capazes de disparar a resposta imunológica. Essa descoberta tem o potencial de afinar a sensibilidade dos testes, como quem ajusta a lente para enxergar melhor os contornos de um campo.
No front terapêutico, a dieta sem glúten permanece como único tratamento aprovado. Contudo, cerca de um em cada cinco pacientes continua a relatar sintomas mesmo com adesão ao regime alimentar. Por isso, estudos iniciais exploram fármacos que interfiram na transglutaminase, moduladores da resposta imune e agentes que atuem sobre citocinas específicas do processo inflamatório. Ainda em estágio preliminar, essas abordagens reforçam a esperança de complementos à dieta, como se adicionássemos novas ferramentas à cesta de cuidados.
Na Itália, a gestão da doença celíaca recebe impulsos importantes também na prevenção. A Lei 130/2023 instituiu o screening neonatal para celíase e diabetes tipo 1, após fases piloto em várias regiões. A expectativa é que a expansão nacional ocorra em 2026, permitindo identificar precocemente casos que hoje permanecem no subsolo do diagnóstico: são cerca de 280 mil casos reconhecidos, segundo o Ministério da Saúde, menos da metade do total estimado.
"Mais da metade dos celíacos permanece ainda submersa", alerta Rossella Valmarana, presidente da Associazione Italiana Celiachia (AIC), lembrando a urgência de fortalecer instrumentos de detecção precoce. Além do rastreio, foram adotadas medidas para facilitar o acesso aos cuidados, como a digitalização e a validade nacional dos vales para compra de produtos sem glúten, além de fundos destinados à informação. A senadora Elena Murelli destaca que o objetivo é reduzir desigualdades territoriais e assegurar uniformidade na assistência.
Como um jardineiro que observa a terra antes de semear, a comunidade médica e as políticas públicas trabalham para cultivar um ambiente em que o diagnóstico seja mais ágil, menos agressivo e mais justo. Entre biomarcadores emergentes e leis pioneiras, a Itália tende a transformar a paisagem da doença celíaca, deixando que cada descoberta guie o próximo sopro de cuidado.