Dor crônica: como IA, telemedicina e wearables prometem tratamentos mais personalizados, diz Bignami (Siaarti)
Bignami (Siaarti): IA, telemedicina e wearables permitem monitoramento contínuo e tratamentos mais personalizados para evitar a cronificação da dor.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Dor crônica: como IA, telemedicina e wearables prometem tratamentos mais personalizados, diz Bignami (Siaarti)
Por Alessandro Vittorio Romano — Em um cenário onde o corpo vive seus próprios ciclos como uma paisagem que se transforma, a abordagem da dor ganha novo fôlego com a tecnologia. Para Elena Bignami, presidente da Siaarti (Sociedade Italiana de Anestesia, Analgesia, Rianimação e Terapia Intensiva), a combinação entre inteligência artificial, telemedicina e dispositivos vestíveis abre janelas para tratamentos mais humanos e sob medida.
Durante o 25º Congresso Acd — Área cultural dor e cuidados paliativos, realizado pela Siaarti no Palazzo dei Congressi de Riccione e em programação até 10 de abril, Bignami destacou que já se utiliza tanto a IA generativa, que facilita a comunicação e a interação com o paciente, quanto a IA preditiva, capaz de estratificar riscos e antecipar trajetórias clínicas. "Quando juntamos esses dados com os sinais contínuos vindos de dispositivos e consultas remotas, conseguimos melhorar os modelos e, com isso, o desfecho dos pacientes com dor crônica", afirmou.
Essa síntese tecnológica é como montar um mapa da paisagem interna do paciente: sensores e teleconsulto alimentam um rio de informações que, bem canalizado, permite intervenções mais rápidas e precisas. A proposta é clara: evitar, sempre que possível, que a dor aguda se transforme em dor crônica, um processo que muitas vezes acontece silenciosamente, como a erosão que corrói uma encosta.
A ação da Siaarti não se resume à tecnologia. Bignami lembra que a sociedade atua na elaboração de protocolos de estudo, na promoção da pesquisa científica e na divulgação de informações não só para profissionais, mas também para cidadãos e pacientes. A missão, nas suas palavras, é garantir um suporte concreto e atualização contínua para quem vive ou gerencia a dor.
Prevenir a cronicização — essa é a semente que precisa ser plantada cedo. «Um dos pilares é identificar precocemente as trajetórias do paciente para intervir a tempo», explicou Bignami. Quando a dor crônica já se instalou, o cuidado deve ir além do corpo: trabalhar comportamentos, hábitos e a percepção individual, tratando cada pessoa como um ecossistema único.
Na prática, a telemedicina e os wearables permitem monitoramento contínuo de sinais clínicos, transformando a rotina em dados úteis. A IA organiza e interpreta esses sinais, ajudando a estratificar risco e personalizar caminhos terapêuticos — como um jardineiro que, conhecendo o solo, escolhe a melhor semente e o momento certo de regar.
Essa visão mistura ciência e sensibilidade: a tecnologia não substitui o encontro humano, apenas o enriquece, permitindo que os profissionais cheguem mais cedo, com informação e empatia. Ao combinar protocolos, pesquisa, educação e ferramentas digitais, a Siaarti quer transformar a gestão da dor numa arte feita de evidência e cuidado individualizado — uma colheita de hábitos que favorece o bem-estar.
Em resumo, como observa Bignami, o objetivo é claro e poético ao mesmo tempo: evitar que a dor vire paisagem permanente e devolver ao paciente a possibilidade de um tempo interno mais sereno e saudável.