EMA recomenda combinação de lurbinectedina e imunoterapia como manutenção de primeira linha no carcinoma pulmonar de pequenas células
EMA recomenda lurbinectedina + atezolizumabe como manutenção de primeira linha no carcinoma pulmonar de pequenas células, reduzindo risco de progressão em 46%.
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EMA recomenda combinação de lurbinectedina e imunoterapia como manutenção de primeira linha no carcinoma pulmonar de pequenas células
Por Alessandro Vittorio Romano — Em um movimento que pode redesenhar o mapa terapêutico para uma das formas mais ferozes de câncer de pulmão, o Comitê de Medicamentos para Uso Humano (CHMP) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) emitiu um parecer positivo recomendando a aprovação de Zepzelca (lurbinectedina) em combinação com Tecentriq (atezolizumabe) como terapia de manutenção de primeira linha para pacientes adultos com carcinoma pulmonar de pequenas células em estágio avançado (ES-SCLC), cuja doença não progrediu após a terapia de indução padrão.
O aval do CHMP, anunciado em 27 de março e divulgado pela PharmaMar, apoia-se nos resultados do estudo de Fase 3 IMforte, patrocinado pela Roche em parceria com Jazz Pharmaceuticals. No estudo, a combinação de lurbinectedina e atezolizumabe demonstrou uma redução de 46% no risco de progressão da doença ou morte, além de uma redução de 27% no risco de morte quando comparada à monoterapia com atezolizumabe.
O carcinoma pulmonar de pequenas células representa cerca de 15% de todos os tumores de pulmão e distingue-se por um crescimento rápido e por uma tendência precoce à disseminação. Na Europa, são diagnosticados aproximadamente 62 mil novos casos de SCLC anualmente, com a maioria das pessoas chegando ao diagnóstico em fase avançada — é como se, muitas vezes, a paisagem já estivesse escurecida quando se percebe a alvorada do problema.
Silvia Novello, diretora da unidade de Oncologia Médica do Hospital San Luigi di Orbassano e professora na Universidade de Turim, ressalta a importância do parecer: “O carcinoma pulmonar de pequenas células continua sendo uma das neoplasias mais agressivas e com maior necessidade clínica, sobretudo no estágio avançado. O parecer positivo do CHMP sobre a combinação de lurbinectedina e imunoterapia representa um avanço relevante, pois introduz uma nova opção terapêutica num cenário até aqui demasiadamente limitado.”
Para Luis Mora, diretor-geral da PharmaMar, o pronunciamento do CHMP é um marco que pode facilitar o acesso dos pacientes europeus a uma alternativa terapêutica e reconhece o investimento da empresa em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos inovadores.
Agora a decisão final sobre a autorização de comercialização caberá à Comissão Europeia, em conformidade com a tramitação regulatória definida. A combinação já conta com autorização como tratamento de manutenção de primeira linha em dez países, incluindo Estados Unidos, Suíça, Emirados Árabes Unidos, Oman, Uruguai, Peru, Paraguai, Equador, Israel e Taiwan — pequenos faróis de acesso que podem anunciar uma luz maior para pacientes em outros territórios.
Como guia atento às estações da vida e da saúde, observo que avanços como este trazem a sensação de um solo renovado: não prometem ondas imediatas de cura, mas oferecem sementes de possibilidades. Para pacientes e cuidadores, cada nova opção é uma oportunidade de reescrever o tempo interno do corpo, numa colheita de esperança que combina ciência e humanidade.
Seguiremos acompanhando a tramitação na Comissão Europeia e os desdobramentos clínicos futuros, quando a prática e os números consolidados confirmarão o alcance real dessa combinação terapêutica.