Endometriose: o desabafo de Giorgia Soleri e por que novas terapias trazem esperança à fertilidade
Giorgia Soleri afirma que inchaço é por endometriose; especialista diz que novas terapias e PMA aumentam chances de gravidez.
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Endometriose: o desabafo de Giorgia Soleri e por que novas terapias trazem esperança à fertilidade
Em um gesto direto e íntimo que misturou franqueza e urgência, a influenciadora italiana Giorgia Soleri voltou a falar abertamente sobre seu corpo e sua luta diária com a endometriose. Postando um vídeo em que mostra a região abdominal e descreve o quadro que enfrenta, ela deixou claro: "Não estou grávida, estou doente". A mensagem, simples e contundente, lembra que por trás das aparências há um corpo que pede atenção.
Na Itália, estima-se que mais de 1,8 milhão de mulheres convivam com a endometriose, uma condição ginecológica crônica que pode comprometer tanto a qualidade de vida quanto a fertilidade. Dados do Ministério da Saúde e do Instituto Superior de Saúde apontam que cerca de 30–40% das mulheres com endometriose enfrentam dificuldades para conceber. Ainda assim, é importante desconstruir a ideia de que o diagnóstico equivale a uma sentença definitiva de infertilidade.
Como costumo observar na rotina das cidades e dos corpos, a endometriose atua como uma maré que altera a paisagem íntima: pode deformar estruturas anatômicas e, através de processos inflamatórios, transformar o ambiente ovariano e uterino. Essa é a explicação prática do ginecologista Mauro Cozzolino, especialista em medicina da reprodução e diretor da clínica IVI Bologna, que enfatiza a complexidade da doença, mas também os avanços no seu reconhecimento e tratamento.
Hoje, com maior sensibilidade aos sinais e ferramentas diagnósticas mais precisas, muitas mulheres com formas leves de endometriose conseguem engravidar de forma espontânea. Em casos selecionados, a remoção por laparoscopia dos focos endometriosicos pode aumentar as chances de concepção: estudos indicam taxas de gravidez espontânea entre 40% e 60% nos 12 meses seguintes ao procedimento, especialmente quando a doença não está em estágio avançado.
Para mulheres com quadros mais complexos ou com alterações tubáricas associadas, as técnicas de procriação medicamente assistida (PMA), como a FIVET (fertilização in vitro), surgem como caminhos efetivos. Segundo Cozzolino, a literatura internacional e as diretrizes da European Society of Human Reproduction and Embryology mostram que os resultados da PMA em pacientes com endometriose são, em muitos casos, comparáveis aos observados em outras causas de infertilidade. As probabilidades cumulativas de gravidez podem alcançar ou superar 60% após múltiplos ciclos de tratamento.
O segredo, reforça o especialista, é um olhar personalizado: considerar a idade, a reserva ovariana e o estádio da doença para traçar a melhor jornada — uma colheita de caminhos, não um único destino. Para muitas mulheres, a combinação entre diagnóstico precoce, intervenções cirúrgicas seletivas e técnicas de reprodução assistida abre uma janela real para a maternidade.
Enquanto isso, o desabafo de Giorgia Soleri funciona como um chamado à empatia e à informação: despertar a respiração da comunidade em torno de um tema que ainda carrega estigmas. A endometriose não é apenas uma questão de órgãos, é uma mudança no tempo interno do corpo que pede escuta, cuidados e, sobretudo, esperança — agora alimentada por terapias e abordagens cada vez mais eficazes.