Epidemia de Ebola no Congo se torna a mais letal da história do país: mata uma pessoa a cada 30 minutos
Surto de Ebola na República Democrática do Congo é o mais letal da história do país: 2.325 mortes em 4.945 casos; vírus Bundibugyo não tem vacina.
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Epidemia de Ebola no Congo se torna a mais letal da história do país: mata uma pessoa a cada 30 minutos
Como quem percebe a respiração lenta de uma cidade ao amanhecer, observamos uma tragédia que avança pela paisagem humana. A atual epidemia de Ebola na República Democrática do Congo tornou-se a mais letal já registrada no país, com 2.325 óbitos em 4.945 casos confirmados, segundo o último balanço divulgado pelas autoridades congolesas.
Os números, frios como pedras, escondem histórias quentes: famílias despedaçadas, mercados onde a vida tenta continuar e um sistema de saúde que perde fôlego. Este surto já superou o anterior, de 2018-2020, que registrou 2.299 mortes em 3.381 casos confirmados. As Nações Unidas qualificaram este surto como a epidemia de Ebola de “crescimento mais rápido já registada” e alertam que a doença está matando uma pessoa a cada 30 minutos na RDC.
O agente responsável é o vírus Bundibugyo, para o qual ainda não existe vacina nem tratamento específico. A contaminação ocorre pelo contato com fluidos corporais e se manifesta como uma febre hemorrágica que rouba forças e esperanças. Quando as autoridades declararam o surto em 15 de maio, acreditava-se que a transmissão já estava em curso há semanas.
O epicentro foi a província nordeste de Ituri, uma região marcada por conflitos prolongados, onde a presença do Estado é intermitente e as infraestruturas de saúde são frágeis. A doença espalhou-se para outras cinco províncias deste vasto país de mais de 100 milhões de habitantes. Em Bunia, capital de Ituri, as medidas de prevenção são poucas: comerciantes foram orientados a instalar pias para lavagem das mãos, mas os mercados continuam lotados e muitas pessoas ignoram as recomendações, segundo relatos de correspondentes.
O envolvimento comunitário, fundamental para conter a propagação, é descrito como insuficiente. Mohamed Janabi, diretor regional da OMS para a África, destacou que mais de 70% dos infectados morrem no próprio território, sem alcançar uma unidade de saúde. A Organização Mundial da Saúde e outros organismos internacionais intensificam esforços, e a Nações Unidas enfatizam a urgência: trata-se de uma corrida contra o tempo.
Historicamente, a epidemia mais severa do continente foi a de 2013-2016 no oeste da África, com mais de 11.300 óbitos principalmente na Libéria, Serra Leoa e Guiné. Hoje, na RDC, a meta das autoridades e da OMS é reverter a curva de transmissão — a organização mostrou-se esperançosa em conter a propagação nos próximos três meses, se as respostas se intensificarem.
Enquanto isso, a paisagem social respira com dificuldade: mercados continuam a pulsar, comunidades tentam manter rotinas, e a doença segue seu avanço silencioso. É preciso fortalecer a presença estatal, ampliar a infraestrutura sanitária e, sobretudo, envolver as comunidades como parceiras da solução. Só assim, como a primavera que retorna depois do inverno, será possível colher a recuperação e devolver ao país um ritmo de vida menos marcado pelo luto.
Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia — observador do cotidiano, trazendo a conexão entre clima, bem-estar e o pulso humano das comunidades.