Estilo de vida é parte essencial da cura do câncer de mama, mostra estudo do ASCO
Estudo do ASCO: dieta mediterrânea, caminhada e vitamina D reduzem recidivas e síndrome metabólica em câncer de mama hormonal.
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Estilo de vida é parte essencial da cura do câncer de mama, mostra estudo do ASCO
Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma notícia que soa como um convite à colheita de hábitos que nutrem o corpo e a mente, pesquisadores apresentaram no congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO) evidências claras de que o estilo de vida entra na composição da própria terapia oncológica. Michelino De Laurentiis, diretor do departamento de Oncologia Senológica e Toraco-Polmonare do Istituto dei Tumori di Napoli e autor sênior do estudo, afirma que 'é a demonstração que o estilo de vida não é um complemento acessório da cura oncológica, mas uma sua parte integrante'.
O trabalho acompanhou mulheres operadas por tumor de mama hormônio-positivo que adotaram um regime diário composto por três pilares: uma dieta mediterrânea de baixo índice glicêmico, caminhada vigorosa de 30 minutos por dia e suplementação oral de vitamina D. Os resultados apontaram para uma diminuição das recidivas, perda de peso e redução da prevalência da síndrome metabólica.
De Laurentiis explica que o protocolo estruturado — que alia alimentação, movimento e aporte vitamínico — produziu benefícios cardiometabólicos concretos nas participantes: redução do peso, do índice de massa corporal e, sobretudo, da síndrome metabólica, atualmente reconhecida como um dos principais fatores de risco para complicações a longo prazo em pacientes oncológicas. O achado sobre a redução das recidivas reforça a visão de que o cuidado ao paciente deve contemplar também a respiração dos hábitos diários.
Como observador sensível do cotidiano, gosto de pensar nesses elementos como ciclos que, se bem alinhados, favorecem o 'tempo interno do corpo'. A dieta mediterrânea, rica em vegetais, azeite, peixes e grãos integrais e com atenção ao índice glicêmico, atua como uma espécie de solo fértil que reduz inflamação e estabiliza o metabolismo. A caminhada diária, por sua vez, é a respiração da cidade que se traduz em movimento — 30 minutos de caminhada rápida que ajudam a manter o corpo em equilíbrio.
A suplementação de vitamina D, ainda que necessite de acompanhamento médico e individuais avaliações de níveis séricos, surge como um complemento capaz de modular respostas imunometabólicas. Nada aqui substitui tratamentos oncológicos convencionais, como cirurgia, quimioterapia, hormonoterapia ou radioterapia. Mas o estudo deixa claro que estes hábitos não são meros acessórios estéticos: fazem parte da própria estratégia terapêutica.
Para equipes médicas, a mensagem é prática e direta: integrar programas estruturados de mudança de estilo de vida ao plano de cuidado pode reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida das pacientes. Para as mulheres em tratamento ou em acompanhamento, a recomendação é buscar orientação especializada para adotar uma dieta mediterrânea adaptada, incluir atividade física regular e avaliar a necessidade de vitamina D com seu oncologista ou endocrinologista.
Em poucas palavras, o estudo apresentado no ASCO reafirma que a cura caminha também pelas pequenas grandes escolhas diárias. Cuidar do corpo como se cuida de um jardim — regando hábitos, podando excessos e respeitando as estações — pode fazer com que as raízes do bem-estar se fortaleçam e deem frutos de saúde a longo prazo.
Nota: as informações refletem os resultados apresentados no congresso ASCO e devem ser discutidas com profissionais de saúde antes de qualquer mudança no plano terapêutico.