Listas de espera incham por excesso de prescrições: Ministério endurece contra exames inúteis
Excesso de prescrições inflama listas de espera; Ministério e ISS promovem guias para reduzir exames inúteis e priorizar casos urgentes.
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Listas de espera incham por excesso de prescrições: Ministério endurece contra exames inúteis
ROMA, 04 abril 2026, 09:45 — Por Livia Parisi; reescrito por Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia
A sobrecarga nas filas do sistema público de saúde não se explica apenas pela falta de profissionais: há também um rio de pedidos que corre além do necessário. Um excesso de prescrições — muitas vezes movidas mais pela cautela, pelo pedido do paciente ou por hábito do que por indicação clínica — tem inflado as listas de espera, gerando overdiagnóstico, desperdício de recursos e atrasos para quem realmente precisa.
Para conter essa corrente, o Ministério da Saúde, em parceria com o Istituto Superiore di Sanità e sociedades científicas, trabalha na elaboração e divulgação das Recomendações de Boa Prática Clínico-Assistencial. O objetivo é tornar a atenção mais apontada e eficaz, reduzindo prescrições desnecessárias e, assim, encurtando os prazos para exames urgentes.
Como explicou o ministro Orazio Schillaci durante o Fórum ANSA, "há um número crescente de pedidos de exames por parte dos cidadãos e um elevado índice de inadequação: estamos a trabalhar com o ISS para ajudar na prescrição dos exames. Às vezes, infelizmente, eu digo isso como médico, é mais fácil acolher um pedido inadequado de um cidadão do que rejeitá-lo". Essa honestidade descreve bem o dilema cotidiano: entre a atenção empática e a necessidade de gerir a escassez de tempo e meios, muitos profissionais acabam cedendo.
As consultas pedem de tudo, das ecografias abdominais a exames de imagem sem indicação imediata, e cada pedido convertido em agendamento empurra a fila para trás. O efeito lembra um inverno prolongado sobre a paisagem da saúde pública: o acúmulo de solicitações congela a disponibilidade, deixando à espera quem precisa de um desabrochar rápido — uma cirurgia, um diagnóstico urgente, um seguimento essencial.
As medidas propostas englobam a publicação de guias práticos, formação continuada para clínicos e campanhas de esclarecimento ao cidadão, que devem reaprender a escutar o ritmo natural do corpo e confiar na orientação profissional quando a indicação é clara. Auditorias sobre padrões de prescrição e sistemas de apoio à decisão clínica também estão na mesa, para que a prescrição não seja um ato isolado, mas parte de um ecossistema que prioriza o que é necessário.
Ao mesmo tempo, há um convite sutil ao paciente: reconhecer que nem todo exame é sinal de cuidado mais atento. Às vezes, recusar a pressa por investigar tudo é um gesto de responsabilidade coletiva, que ajuda a restaurar a respiração do sistema e a devolver tempo àqueles em situação de maior fragilidade.
Em suma, a luta contra a hiperprescrição é uma colheita de hábitos: é preciso semear critérios, colher prudência e regar com informação clara — para que a cidade volte a respirar com mais saúde e menos filas.