Filtros e apps: como as redes sociais distorcem a percepção do próprio rosto, alerta SIDeMaST

SIDeMaST alerta que filtros e apps das redes sociais ampliam a 'digitized dysmorphia', levando pacientes a buscar versões filtradas do próprio rosto.

Filtros e apps: como as redes sociais distorcem a percepção do próprio rosto, alerta SIDeMaST

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Filtros e apps: como as redes sociais distorcem a percepção do próprio rosto, alerta SIDeMaST

Por Alessandro Vittorio Romano — Em meio à respiração acelerada das telas e ao ciclo constante de imagens, surge um alerta que nos convida a pausar: a Sociedade Italiana de Dermatologia e Malattie Sessualmente Trasmesse (SIDeMaST) chamou a atenção para o efeito das filtragens digitais no modo como percebemos nosso corpo. No 99º congresso nacional, intitulado “Innovazione e ricerca: il futuro della dermatologia”, realizado no Palacongressi de Rimini entre 21 e 24 de abril, especialistas expuseram um fenômeno que não é apenas estético, mas cultural e psíquico.

As apps de edição, os filtros fotográficos e as imagens cuidadosamente curadas criam um padrão estético irreal: pele sem imperfeições, contornos suavizados, traços padronizados. Essa distância entre o rosto que vemos no espelho e a versão digital idealizada pode validar expectativas impossíveis. “Assistimos cada vez com mais frequência pacientes que pedem tratamentos para se parecer com a versão filtrada do próprio rosto ou com imagens vistas nas redes sociais”, afirmam Maria Concetta Fargnoli, professora ordinária de Dermatologia e Venereologia e diretora científica do Istituto Dermatologico San Gallicano IRCCS, e Roberta Giuffrida, dermatologista e pesquisadora do Policlinico Universitário Gaetano Martino de Messina, membro do Conselho Diretivo da SIDeMaST.

Na literatura especializada, esse quadro ganha nomes: social media dysmorphia e, em termos mais amplos, digitized dysmorphia, que descreve a insatisfação gerada pela discrepância entre a imagem real e a imagem digital alterada de si. Não por acaso surgiram termos como Snapchat dysmorphia e Zoom dysmorphia, que capturam tendências distintas — a busca por um rosto que reproduz filtros ou a percepção ampliada e distorcida durante videochamadas.

O alerta da SIDeMaST não é apenas sobre estética. Trata-se de reconhecer que a pele tem uma história biológica e individual que não pode ser moldada a partir de um efeito de software. O risco, segundo as especialistas, é que o paciente persiga uma imagem irreal esquecendo que a pele real possui características clínicas e limitações que exigem respeito.

Como um jardineiro que observa o solo antes de plantar, a mensagem é por informação e uso consciente: menos comparação automática e mais conhecimento sobre o que os filtros realmente fazem. O congresso em Rimini destacou a necessidade de uma comunicação científica clara e de um uso responsável das ferramentas digitais, para que a colheita de hábitos online não comprometa a saúde mental e física.

Vivemos numa paisagem onde o tempo interno do corpo e o tempo digital nem sempre se sincronizam. Propor soluções exige escuta clínica, educação digital e uma sensibilidade social que reconheça a beleza das imperfeições como sinais de vida. Em vez de perseguir versões filtradas, é preciso cultivar um olhar que respeite a pele real e a singularidade de cada rosto.