Gardini alerta: aumento do preço dos cigarro pode favorecer mercados paralelos
Gardini alerta que aumento de 5€ no preço dos cigarros pode incentivar mercados paralelos; defende aumento progressivo e medidas complementares.
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Gardini alerta: aumento do preço dos cigarro pode favorecer mercados paralelos
Em Roma, durante a apresentação do 18.º relatório sobre a condição assistencial dos pacientes oncológicos, a deputada do Fratelli d'Italia Elisabetta Gardini lançou uma advertência que mistura cuidado social e prudência política. Ao comentar a proposta de elevar em 5 euros o preço dos cigarros e dos produtos de tabaco, Gardini afirmou que o aumento do preço poderia, sem medidas complementares, empurrar parte da população para mercados paralelos, com riscos ainda maiores para a saúde.
"O discurso do aumento das accise sobre as sigarettas é um tema checado muitas vezes: pode ser percebido como discriminatório para as camadas economicamente mais frágeis", disse Gardini. "Quem tem recursos continuará fumando normalmente; quem não tem, corre o risco de buscar alternativas no mercado paralelo, que muitas vezes são ainda mais danosas à saúde."
O debate teve lugar num contexto sensível: a apresentação do relatório que acompanha a vida de pacientes oncológicos e as dificuldades de acesso a cuidados. A iniciativa também serviu para discutir a campanha de recolha de assinaturas que apoia a proposta de lei que prevê o acréscimo de 5 euros ao preço das embalagens. Gardini reconheceu a intenção pública de reduzir o consumo, mas pediu cautela na forma de implementar a medida.
Segundo a deputada, estudos indicam que um aumento progressivo do preço pode surtir efeito maior do que um aumento imediato e único. "Há pesquisas que defendem que não se deve aumentar tudo de uma vez e que funciona melhor um incremento gradual", explicou. "Penso que é um caminho a seguir, desde que se estude bem as modalidades."
Como observador das paisagens sociais e dos tempos que regulam a saúde coletiva, vejo essa discussão como um jardim que precisa ser cultivado com paciência: a reforma fiscal sobre o tabaco é uma poda necessária, mas mal feita pode deixar rebentos daninhos — os mercados paralelos — que crescem nos vazios deixados pela regulação. É preciso, portanto, combinar políticas de preço com reforço do controle fronteiriço, campanhas de prevenção, apoio a quem deseja parar e medidas sociais que não deixem os mais vulneráveis à mercê do contrabando.
A proposta de aumentar o preço em 5 euros nasce de uma intenção de saúde pública, mas, como toda mudança que toca os hábitos cotidianos, requer uma leitura sensível dos ciclos econômicos e sociais. O desafio é encontrar o compasso certo entre a firmeza da política fiscal e a ternura de políticas que acompanhem os cidadãos — uma verdadeira colheita de hábitos mais saudáveis, sem deixar ninguém à margem.
Em suma, Gardini convoca um caminho investigado e gradual: a ideia de aumento não é rejeitada, mas precisa ser desenhada para não penalizar indevidamente os mais frágeis nem fomentar o mercado paralelo, que é, ironicamente, mais perigoso para a própria saúde pública que a intenção original de combater o tabagismo.