Montano alerta: guerra Iran-EUA pode levar à austeridade e exigir reforma do SSN

Montano alerta que a guerra Iran-EUA pode provocar austeridade e exigir reforma do SSN para proteger a saúde dos italianos.

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Montano alerta: guerra Iran-EUA pode levar à austeridade e exigir reforma do SSN

A crise geopolítica que se alastra entre guerra Iran-EUA e aliados não é apenas um tremor distante: suas reverberações chegam às ruas, às mesas e aos consultórios. Nicola Montano, presidente da Simi (Sociedade Italiana de Medicina Interna), lembra que, além do custo humano e humanitário, há um impacto econômico que pode abrir a porta para a austeridade — com possíveis consequências profundas nos sistemas sanitários e na vida dos italianos.

“A guerra, que como médico repudio, tem um efeito econômico enorme”, observa Montano em entrevista. O aumento de preços e a inflação são sinais visíveis; menos visíveis, porém cruciais, são os retrocessos nos determinantes sociais da saúde: emprego, poder aquisitivo, perspectivas de vida. Se a estagnação econômica persistir, existe o risco de cortes que forcem a reavaliação das prioridades do Serviço Sanitario Nazionale (SSN).

Montano sublinha que o SSN deve continuar a garantir as emergências, mas admite que o cenário exige pensar uma reestruturação: “Não basta reduzir custos; é preciso tornar o SSN mais eficiente. Uma reforma verdadeira nasce da partilha de ideias e da vontade política, com olhar médico transversal.” Ele lembra que países como Espanha e Portugal já fizeram mudanças estruturais e hoje mostram trajetórias de desempenho que o colocam à frente do sistema italiano em alguns indicadores.

Como observador atento das estações da vida coletiva, Montano compara a situação a uma colheita afetada pelo tempo: quando a insegurança econômica cresce, as escolhas cotidianas mudam — renúncia a consultas e terapias, alteração na dieta, preferência por alimentos mais baratos. Isso altera a composição de doenças na população, favorecendo o aumento do sovrappeso e da obesidade, e elevando a prevalência de doenças crônicas que já exigem mais do sistema.

Há também uma face psicológica sensível: a sombra — mesmo distante — da ameaça nuclear cria angústia entre os mais jovens. “A incerteza econômica amplifica o sentimento de insegurança”, diz Montano, apontando para um aumento das questões de saúde mental e para dúvidas existenciais que chegam ao consultório. Em tempos assim, a saúde coletiva pede respostas que combinem políticas, reorganização do atendimento e comunicação empática.

Montano defende que não existe “uma bacchetta magica”: a saída não é unilateral nem imediata. Serve, sim, uma estratégia compartilhada que una profissionais, gestores e política. “Eu coloco a minha vontade e o meu pensamento: se muitas cabeças trabalharem em conjunto — em acordo com a política — podemos transformar o SSN.”

À medida que o mundo respira de forma instável, o convite é organizar-se antes que a colheita se perca: planejar cenários de emergência, priorizar intervenções que protejam os mais vulneráveis e olhar para a saúde como um campo que floresce ou definha conforme as estações econômicas e sociais. É um chamado à coragem política e à sabedoria coletiva, uma proposta que combina prudência técnica com cuidado humano — a respiração que mantém viva a paisagem do bem-estar.

Alessandro Vittorio Romano, por Espresso Italia