Hantafarsa: a nova face da permacrise que expõe a estupidez do poder
Reflexão sobre a 'Hantafarsa' como mais uma face da **permacrise** e o papel das instituições entre medo e responsabilidade pública.
RESUMO ✦
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Hantafarsa: a nova face da permacrise que expõe a estupidez do poder
Por Alessandro Vittorio Romano — 11 de maio de 2026
Oh la la, lá vêm eles de novo. Como observador atento das marés que movem nossa vida coletiva, sinto o arrepio do costume: outra vez a narrativa pública volta a se enredar em medo e pressa. Do meu canto escrevo que a chamada Hantafarsa é, na verdade, mais uma variante da eterna permacrise que já nos acompanha — uma repetição de alarmismos, prontuários e rituais institucionais que se renovam como estações que insistem em repetir-se.
O que mais entristece nesse ciclo não é apenas o pânico reciclado, mas a evidente e quase teatral estupidez do poder: as mesmas faces nos microfones, os mesmos anúncios, os mesmos conselhos que soam como partituras repetidas. A OMS reaparece no palco com a mesma sonoridade de sempre, ecoando ordens e chamando à obediência; vozes que deveriam inspirar confiança muitas vezes parecem reproduzir roteiros prontos.
Há motivos para desconfiar — e os conspiracionistas comemoram cada detalhe. Circulam documentos, relatórios, exercícios como o Polaris II, e notícias sobre visitas institucionais que, ao serem alinhadas, formam um mosaico convincente para quem já respira a poluição da desconfiança. Mas não caiamos na armadilha de substituir questionamento válido por pânico desenfreado: entre a prudência e a histeria há um caminho que pede clareza e humanidade.
Enquanto isso, a narrativa pública tende a costurar passado e presente com a linha tênue da sugestão: dos animais aos vetores, dos planos pandêmicos aos protocolos jurídicos, tudo vira prova de um enredo maior. É fácil montar uma correlação quando o mundo parece uma vinha onde colhemos os frutos das nossas escolhas — e também as ervas daninhas das atitudes medrosas.
Não ignoro a responsabilidade das instituições: protocolos existem para proteger, e preparar-se é um ato de cuidado. Contudo, quando a preparação se transforma em espetáculo permanente, a colheita pode ser amargurada. Vejo aí uma vontade de governar pelo choque, de prolongar estados excepcionais que alimentam interesses diversos, desde a indústria da segurança até os comerciantes do medo.
Como alguém que observa o pulso das cidades e as estações do corpo coletivo, recomendo um caminho diferente: recuperar o tempo interno das comunidades, ouvir os profissionais sérios sem transformá-los em coros uníssonos, e respeitar o espaço entre a dúvida e a decisão. O ar da praça precisa de transparência, não de fumaça.
Sim, existe uma relação real entre mudanças ambientais e saúde pública; sim, há exercícios e planos que ensaiam respostas. Mas transformar cada sinal em catástrofe é reduzir nossa existência a uma sucessão de emergências. Prefiro imaginar que ainda podemos cultivar hábitos e sistemas resilientes, em vez de nos tornarmos matéria-prima de um ciclo que se autoalimenta.
Terminando este meu olhar, lembro que a vida em Itália — e em toda parte — tem ritmos que se nutrem de previsibilidade e ternura: plantar, cuidar, colher. Se há uma lição na confusão atual é que precisamos de menos pânico e mais colheita de hábitos saudáveis; menos encenação e mais responsabilidade comunitária.
Oh la la: não cedo ao canto sombrio do fatalismo, mas tampouco ignoro que a estupidez do poder pode nos arrastar para invernos desnecessários. Entre a estação do medo e a primavera do bom senso, escolho regar a segunda.