Hipertensão atinge quase metade dos italianos, revela levantamento do ISS

Levantamento do ISS mostra que quase metade dos italianos entre 35 e 74 anos tem pressão alta; muitos não estão tratados ou controlados.

Hipertensão atinge quase metade dos italianos, revela levantamento do ISS

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Hipertensão atinge quase metade dos italianos, revela levantamento do ISS

Por Alessandro Vittorio Romano — A hipertensão permanece como um dos grandes sinais do tempo em nossos corpos: segundo dados preliminares do Progetto CUORE do Istituto Superiore di Sanità, divulgados por ocasião da Jornada Mundial da Hipertensão, uma parcela expressiva da população italiana convive com pressão elevada. Os números desenham uma paisagem preocupante e, ao mesmo tempo, pedem atenção cotidiana como quem rega um jardim para evitar que o solo seque.

Na faixa etária entre 35 e 74 anos, monitorada pela Italian Health Examination Survey - Progetto Cuore, a medição direta em amostras aleatórias de residentes em 17 regiões aponta que 37% dos homens e 23% das mulheres apresentam leituras superiores a 140 mmHg de máxima e 90 mmHg de mínima. Em termos mais amplos, quase metade dos homens e cerca de duas em cada cinco mulheres dessa faixa têm valores elevados de pressão arterial ou estão em tratamento para a condição.

As médias encontradas no estudo também contam uma história: a média da pressão sistólica (máxima) foi de 134 mmHg entre os homens e 126 mmHg entre as mulheres; a pressão diastólica (mínima) ficou, respectivamente, em 79 mmHg e 75 mmHg. São números que revelam o pulso coletivo de uma população que vive o ritmo acelerado das cidades e, muitas vezes, os efeitos da colheita de hábitos acumulados ao longo dos anos.

Há, contudo, uma sombra significativa nas estatísticas: muitas pessoas com pressão alta não sabem que a têm, ou não conseguem controlá-la adequadamente. A responsável pelo inquérito, Chiara Donfrancesco, do departamento de Doenças Cardiovasculares, Endócrino‑Metabólicas e do Envelhecimento do Istituto Superiore di Sanità, lembra que "uma quota consistente da população adulta convive com valores de pressão arterial elevados, muitas vezes sem que haja consciência".

O estudo detalha também gaps no tratamento: entre aqueles com hipertensão, 53% dos homens e 46% das mulheres não estão em terapia. E entre os que recebem tratamento, apenas metade dos homens e pouco mais de um terço das mulheres atingem níveis ótimos de pressão. Este dado é um convite a enxergar a prevenção como rotina — um simétrico cuidado com o corpo que passe pelo sono, alimentação, movimento e adesão aos medicamentos quando prescritos.

Como observador atento às estações do corpo e da cidade, vejo nesta realidade a necessidade de transformar o monitoramento da pressão arterial em hábito comum: medições periódicas, conversas francas com o médico e pequenas colheitas diárias de escolhas saudáveis. A pressão, como o clima, responde tanto às tempestades quanto às estações calmas; cuidar dela é respeitar o tempo interno do corpo.

Em conclusão, os dados do Progetto CUORE são um alerta claro: promover o rastreamento regular e a adesão às orientações de estilo de vida e terapêuticas é essencial para diminuir o fardo da hipertensão. Só assim a respiração da cidade e a do nosso organismo podem encontrar um compasso mais sereno.