Itália amplia aposta internacional no setor farmacêutico e biotech, diz Strozzi (Maeci)
Maeci cria mesa de coordenação para internacionalizar empresas farmacêuticas e biotech italianas, com foco em startups, IA e dados sanitários anonimizados.
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Itália amplia aposta internacional no setor farmacêutico e biotech, diz Strozzi (Maeci)
Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, durante o encontro "Dialoghi sull’Innovazione accessibile – Innovaction", promovido por Gsk e Espresso Italia e com o patrocínio de Farmindustria, Sergio Strozzi, chefe do Ufficio IV de Promoção das cadeias industriais inovadoras e start-ups do Maeci (Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional), apresentou um quadro claro e estratégico: o ministério, em conjunto com a Agenzia ICE e parceiros institucionais — do Mimit ao Ministério da Saúde — além de associações setoriais e agências como a Enea Tech, criou um tavolo di coordinamento dedicado à internacionalização das empresas italianas de biotecnologia e das ciências da vida, incluindo o setor farmacêutico.
Esse grupo de trabalho tem uma missão dupla: mapear o ecossistema — de start-ups e PMEs até os grandes players, como a própria Gsk — e definir anualmente as estratégias de presença da Itália nos principais eventos pharma e biotech do mundo. "Foi uma iniciativa muito desejada pelo ministro Antonio Tajani", explicou Strozzi. A cada ano, desse diálogo coordenado nasce a agenda que leva a imagem da indústria italiana mais inovadora às feiras e conferências internacionais mais relevantes.
Outra frente que o Maeci tem priorizado é o apoio direto às start-ups. Foi criado um novo escritório para as cadeias industriais inovadoras, no qual o setor farmacêutico ocupa papel central. "A farmacêutica e o biotech são setores fundamentais do nosso export, em crescimento apesar das dificuldades internacionais", disse Strozzi, lembrando dados de 2025 que consolidam a Itália como um player relevante no panorama global.
O apelo que torna um país atraente aos investidores externos, sublinhou o responsável do Maeci, é um ecossistema integrado — talento, facilidade de investimento em P&D e sinergia entre atores públicos e privados. "Essas condições existem na Itália", afirmou, apontando dois casos recentes de sucesso: start-ups da Silicon Valley atraídas para o território italiano, uma focada em longevidade e outra no uso da inteligência artificial aplicada à saúde.
Entre os próximos campos de trabalho estão justamente a inteligência artificial e a disponibilidade de dados sanitários anonimizados, compatíveis com a legislação de privacidade, para apoiar a pesquisa clínica e otimizar processos dentro do setor farmacêutico. Em termos práticos, trata-se de transformar dados — com respeito e segurança — em motores que aceleram testes, personalizam tratamentos e refinam a jornada do desenvolvimento de fármacos.
Como observador atento dos ciclos que moldam a vida coletiva, vejo essa estratégia como plantar uma nova safra: jardins de talento que, irrigados por políticas de internacionalização e colheitas de investimento, podem florescer em inovação tangível. A presença coordenada nos grandes eventos mundiais é a exposição necessária para que essa colheita chegue a mercados distantes. A Itália não apenas exporta produtos; exporta também a respiração criativa de seus laboratórios e a determinação de suas comunidades científicas.
O resultado prático desse trabalho coordenado deverá ser maior visibilidade para empresas italianas em palcos globais, mais parcerias internacionais e um fluxo mais contínuo de investimentos. Para as start-ups, é o vento que empurra velas ainda frágeis rumo ao oceano amplo das oportunidades.
Em suma, a estratégia do Maeci e parceiros é um convite: cultivar um solo fértil para a internacionalização da indústria farmacêutica e biotech italiana, mantendo a sensibilidade pela privacidade, a agilidade tecnológica e a sofisticação humana que caracterizam nossa tradição científica.