Itália tem 65 milhões de animais de estimação, mas menos da metade é vacinada regularmente

Itália tem 65 milhões de pets, mas menos de 50% estão vacinados; prevenção veterinária poderia economizar €4 bi/ano. Saiba mais.

Itália tem 65 milhões de animais de estimação, mas menos da metade é vacinada regularmente

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Itália tem 65 milhões de animais de estimação, mas menos da metade é vacinada regularmente

Por Alessandro Vittorio Romano – A Itália continua a respirar ao ritmo dos seus animais domésticos: quase 65 milhões de companheiros convivem nas nossas casas, e entre eles mais de 20 milhões são cães e gatos. No entanto, há uma lacuna entre afeição e cuidado preventivo. Segundo o Observatório sanità UniSalute-Nomisma 2025, embora o veterinário tenha sido procurado por 86% dos proprietários pelo menos uma vez no último ano, apenas 21% submetem seus animais a controles regulares e menos de 50% estão corretamente vacinados.

Esses números permanecem abaixo da meta recomendada pelas Linhas-Guia Wsava 2024-2025, que apontam para o patamar de 70% de cobertura como meta ideal. A sensação que fica é a de um jardim bem cuidado na superfície, mas com raízes que nem sempre recebem a adubação necessária: carinho não substitui prevenção.

Quando falamos de prevenção veterinária, não falamos apenas de proteger um único animal, mas de cultivar bem-estar coletivo. A atenção contínua à saúde dos pets é também uma alavanca para a saúde pública: estima-se que a prática veterinária preventiva possa gerar uma economia ao sistema de saúde de cerca de 4 bilhões de euros por ano. É um cuidado que reverbera da casa para a comunidade, assim como o perfume de um pomar maduro que anuncia benefícios além do que se colhe.

Na esteira da Giornata mondiale della Veterinaria, a Aisa (Associazione delle imprese per la salute animale), integrante da Federchimica, reafirma seu compromisso em promover a prevenção como uma escolha consciente. A associação ressalta o papel essencial do médico veterinário na tutela do bem-estar animal e no elo com políticas de saúde mais amplas.

O retrato que emerge é paradoxal: há amor de sobra nas casas italianas, mas a rotina preventiva — checkups periódicos, calendários vacinais atualizados, educação sobre parasitas e nutrição — ainda não tomou seu lugar definitivo. A mudança de hábito passa por informação acessível, diálogo entre clínicas e famílias, e por políticas que facilitem o acesso aos serviços veterinários.

Como observador das estações e dos ritmos domésticos, vejo nessa questão os sinais de uma colheita que precisa ser cultivada: pequenas ações regulares — um exame anual, uma vacina em dia — são como regas que evitam secas maiores. Investir em prevenção é plantar saúde para que a convivência com nossos animais não seja apenas afeto, mas também segurança e qualidade de vida.

Se há uma lição, é que o bem-estar animal floresce quando a cidade respira em sintonia com seus habitantes não humanos. E para que essa respiração seja plena, é necessário transformar visitas eventuais ao consultório em um hábito, reconhecendo o veterinário como guardião dessa ponte entre casa e comunidade.