Listas de espera 2026: mais de 4 milhões de agendamentos além do prazo, apesar de melhora geral

Em 2026, mais de 4 milhões de agendamentos ficaram além dos prazos; há melhora geral (+10%) mas disparidades regionais persistem, diz Agenas.

Listas de espera 2026: mais de 4 milhões de agendamentos além do prazo, apesar de melhora geral

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Listas de espera 2026: mais de 4 milhões de agendamentos além do prazo, apesar de melhora geral

Por Alessandro Vittorio Romano — Os primeiros nove meses de 2026 desenham uma paisagem mista quando olhamos para as listas de espera do sistema de saúde italiano: há sinais claros de recuperação, mas ainda persistem áreas de estagnação que lembram terrenos que precisam ser replantados com cuidado.

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Segundo o relatório apresentado por Angelo Tanese, Diretor-Geral da Agenas, no Bollettino liste di attesa numero 1 com dados atualizados até 30 de setembro de 2026, o País registou um aumento de pouco mais de 2 milhões nas marcações realizadas dentro dos prazos previstos em comparação com o mesmo período de 2025 — um crescimento global de cerca de 10%. Esse movimento indica que, em muitas regiões, a «respiração» do sistema está voltando a um ritmo mais regular, com melhores resultados tanto nas primeiras consultas quanto nos exames diagnósticos.

No entanto, a colheita ainda não é plena: aproximadamente 4 milhões de agendamentos permanecem além dos tempos previstos. É como se parte do terreno continuasse a exigir novas sementes e irrigação — ou seja, intervenções organizativas e clínicas mais precisas.

Para as primeiras visitas, as classes de prioridade que tendem a melhorar com mais intensidade são as de maior urgência — urgente, breve e diferida — todas com ganho superior a 3%. Esse padrão confirma um avanço na priorização clínica, um pequeno sol rompendo nuvens.

Mas o mapa regional evidencia claras diferenças: regiões como Umbria e Puglia, apesar de estarem em trajetória de melhora, e a Sardenha enfrentam situações mais críticas. Quatro regiões apresentam porcentuais de cumprimento dos prazos abaixo de 70% nas primeiras consultas: Friuli-Venezia Giulia (67,8%), Sardenha (64,3%, em queda frente a 68%), Úmbria (62,7%) e Puglia (55,3%).

Do outro lado, há territórios que alcançam desempenhos elevados, acima de 90%: Basilicata (99%), Marche (94,7%), Lazio (92,3%) e Veneto (90,5%). Atenção porém ao detalhe: percentuais muito altos em alguns casos podem refletir um número excessivo de prescrições programadas a 120 dias (classe P), evidenciando possíveis problemas de adequação das prescrições ou de tomada em carga dos pacientes.

Quando o foco são os exames diagnósticos, três regiões ficam com cumprimento dos prazos abaixo de 70%: Valle d'Aosta (69,7%), Umbria (64,7%) e Puglia (63,4%). Em contrapartida, as melhores performances, acima de 90%, foram observadas em Veneto (97%), Campania (95,8%), Basilicata (95,1%), Marche (92,5%), Lazio (90,7%) e Toscana (90%).

O recado de Tanese é claro: há um avanço consolidado, mas permanece a necessidade de diálogo contínuo e um confronto pontual com as regiões para transformar a tendência positiva em melhoria estável e equitativa. Em termos humanos, significa reduzir as incertezas que pesam sobre quem espera por um exame ou uma consulta — devolver à cidade a cadência serena do cuidado, onde o tempo interno do corpo e o tempo do serviço se alinham.

Enquanto observamos esses números, vale cultivar a paciência ativa: acompanhar políticas, reforçar a coordenação regional e ajustar a prescrição para que, no ciclo seguinte, possamos colher menos atrasos e mais bem-estar.

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