Listas de espera melhoram, mas ainda há 4 milhões de visitas e exames em atraso
Listas de espera melhoram em 2026, mas 4 milhões de consultas e exames seguem em atraso; disparidades regionais e falta de médicos persistem.
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Listas de espera melhoram, mas ainda há 4 milhões de visitas e exames em atraso
Por Alessandro Vittorio Romano — A respiração do sistema de saúde italiano mostra sinais de alívio, mas a colheita dos dias ainda traz frutos imperfeitos. Nos primeiros nove meses de 2026, foram realizadas 21,8 milhões de consultas e exames; desse total, 17,7 milhões foram prestados dentro dos prazos de garantia — um aumento de mais de dois milhões em comparação ao mesmo período de 2025. Ainda assim, permanecem cerca de 4 milhões de visitas e exames fora do tempo máximo, empurrando muitos pacientes em direção à saúde privada à procura de respostas mais rápidas.
Os dados constam do boletim sobre as listas de espera publicado pela Agenas, com base nas informações da Plataforma Nacional, atualizadas até 30 de setembro de 2026. Segundo Angelo Tanese, diretor da agência, o quadro revela um "melhoramento diffuso", mas também evidencia "diferenças territoriais e a necessidade de prosseguir o confronto com as Regioni".
Melhoraram sobretudo as prestações com caráter de urgência — porém, uma em cada cinco continua atrasada. Entre as especialidades que ainda enfrentam maiores dificuldades destacam-se as colonoscopias e as consultas de dermatologia. No mapa regional, as maiores criticidades foram registradas em Úmbria, Puglia e Sardenha, onde a espera se apresenta mais longa e irregular, como raízes subterrâneas que retardam o crescimento da paisagem.
O cenário vem após um parecer da Tribunal de Contas (Corte dei Conti), que descreveu um problema antigo — recursos consideráveis já foram investidos, mas persistem obstáculos: fundos não utilizados, sistemas de controle insuficientes e uma notável carência de médicos. É nesse solo complexo que se planta o Piano nazionale delle liste d'attesa 2026-2028, que busca reforçar o monitoramento e introduzir medidas para reduzir desigualdades e agilizar a oferta de cuidados.
Na prática, as cifras falam de um sistema que respira melhor, mas cuja respiração ainda é desigual: enquanto algumas regiões mostram um despertar da paisagem com filas que se reduzem, outras carregam o inverno dos atrasos. Para o cidadão, a consequência é tangível — filas que encurtam para uns e esperas que empurram outros ao desembolso privado, numa espécie de travessia entre o desejo de cuidado imediato e a paciência exigida pelo serviço público.
As ações previstas no plano nacional passam por maior coordenação regional, novas formas de monitoramento e incentivos à eficiência. Ainda assim, sem um reforço estável do capital humano — médicos e profissionais de saúde — e sem maior capacidade de gestão dos fundos disponíveis, o risco é que as melhorias continuem desiguais, como jardins bem tratados ao lado de terrenos deixados ao acaso.
Para viver bem a Itália — seja quem aqui reside ou quem a visita em busca de cuidados — é preciso olhar além dos números e perceber como as estações das políticas públicas se traduzem no tempo interno do corpo. Reduzir esperas é, em última instância, permitir que o cotidiano recupere a sua respiração: consultas recebidas no tempo certo, diagnósticos que não adiam decisões e o reencontro com a serenidade de cuidar da própria saúde.

