Long Covid eleva risco de doenças cardiovasculares, aponta estudo sueco

Estudo sueco mostra que o long Covid aumenta o risco de doenças cardiovasculares, com maior impacto em mulheres; exige monitoramento clínico atento.

Long Covid eleva risco de doenças cardiovasculares, aponta estudo sueco

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Long Covid eleva risco de doenças cardiovasculares, aponta estudo sueco

Por Alessandro Vittorio Romano — Uma nova paisagem se revela quando observamos o efeito do long Covid sobre o coração: não é apenas uma sombra prolongada da infecção aguda, mas um sopro persistente que parece afetar o risco cardiovascular de muitas pessoas, inclusive aquelas que nunca chegaram a ser hospitalizadas. É a conclusão de um estudo liderado por Pia Lindberg, do Karolinska Institutet, publicado em eClinicalMedicine, que analisou mais de 1,2 milhão de indivíduos ao longo de quase quatro anos.

Entre aproximadamente 9 mil participantes com diagnóstico de long Covid, os pesquisadores encontraram uma elevação clara de eventos cardíacos a longo prazo em comparação com a população sem a condição. Durante o acompanhamento, ocorreram eventos cardiovasculares em 18,2% das mulheres e 20,6% dos homens com long Covid, contra 8,4% e 11,1% nos grupos de controle, respectivamente.

Mesmo após ajustes por idade, fatores socioeconômicos e outros riscos conhecidos, as diferenças permaneceram expressivas. As mulheres com long Covid apresentaram mais que o dobro do risco de receber uma nova diagnóstico de doenças cardiovasculares em relação às mulheres sem a condição; entre os homens, o aumento foi da ordem de um terço.

O estudo destaca, em especial, um aumento de arritmias cardíacas e doença coronária em ambos os sexos. Nas mulheres também se observou maior incidência de insuficiência cardíaca e doenças vasculares periféricas, enquanto não foi encontrada associação consistente com o risco de AVC.

“Detectamos que certas patologias cardiovasculares são mais frequentes em pacientes com long Covid, inclusive em indivíduos relativamente jovens e previamente saudáveis”, afirma Pia Lindberg. A equipe alerta para o fato de que muitos pacientes com Covid prolongado nunca foram hospitalizados, o que pode fazer com que complicações tardias passem despercebidas.

Como um observador atento do dia a dia, eu penso nessa evidência como um convite para escutar o tempo interno do corpo — a respiração lenta de quem carrega as estações da doença. Os pesquisadores defendem um monitoramento mais sistemático e estruturado, sensível às diferenças de gênero, para que a colheita de sinais precoces não escape ao olhar clínico.

O trabalho, realizado em colaboração com universidades e hospitais suecos, reforça que o long Covid deve ser considerado um possível fator de risco cardiovascular a longo prazo, com implicações claras para a gestão clínica e para estratégias de prevenção. Em termos práticos, isso significa atenção ampliada a sintomas cardíacos persistentes, acompanhamento direcionado e políticas de saúde que integrem esse novo conhecimento.

Na Itália, assim como em outras paisagens urbanas e rurais, convém ouvir o pulso da população com a mesma delicadeza com que se percebe o pulso de um jardim após a chuva: há sinais sutis que anunciam mudanças maiores. É nessa escuta que se constrói a prevenção — e a esperança de preservar o compasso saudável de nossas cidades e corpos.