Marchetti (IDI): Pacientes protagonistas e novos modelos na pesquisa em oncologia

Marchetti defende novos modelos na pesquisa em oncologia e o protagonismo dos pacientes para ampliar acesso a terapias inovadoras.

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Marchetti (IDI): Pacientes protagonistas e novos modelos na pesquisa em oncologia

Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, durante a apresentação do Working Paper «Protagonista della ricerca. Il paziente al centro dei trial in oncologia ed emato-oncologia» elaborado por Teha (The European House - Ambrosetti) com contribuição não condicionante da Amgen, o oncologista Paolo Marchetti, diretor científico do IDI-IRCCS de Roma, traçou um panorama sensível e urgente sobre a necessidade de transformar a forma como coletamos evidências na oncologia de precisão.

Marchetti ressaltou que os avanços extraordinários da medicina personalizada exigem não apenas inovação terapêutica, mas também a renovação dos modelos de investigação. "Os progressos da medicina de precisão, e em particular da oncologia, pedem uma mudança profunda també no modo em que são recolhidas as evidências científicas", afirmou. Ao lado dos estudos clínicos controlados que moldaram as últimas décadas, hoje precisamos de novos modelos de pesquisa, mais flexíveis, inclusivos e próximos do cotidiano dos pacientes.

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Uma das imagens que gosto de usar para traduzir essa mudança é a da colheita: não podemos esperar que o fruto madure apenas no pomar central; é preciso espalhar as mudas, acompanhar o tempo interno de cada árvore. Nessa mesma lógica, Marchetti defende a necessidade de delocalizar os ensaios clínicos — aproximando as oportunidades terapêuticas dos lugares onde as pessoas vivem — e de coletar dados a partir de plataformas mais amplas, para recompor um mapa real das respostas e das experiências.

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Outro ponto central do seu discurso foi o papel ativo dos pacientes. Para Marchetti, é urgente desenvolver novas formas de escuta: mais do que registros técnicos sobre toxicidade, precisamos saber como os efeitos colaterais são vividos pelos pacientes. "É necessário desenvolver novas modalidades de escuta — a partir da coleta das informações sobre toxicidade, dos efeitos colaterais como são vividos pelos pacientes, e não apenas registrados ou classificados pelos médicos", explicou. O que emerge é um verdadeiro deslocamento de paradigma: o paciente deixa de ser um sujeito apenas central para tornar-se parte integrante do processo de inovação.

O documento apresentado é, nas palavras do oncologista, uma síntese dessas transformações que se tornam indispensáveis para o avanço real da oncologia de precisão. "Não é um livro dos sonhos", concluiu Marchetti, "mas um pedido concreto de compromisso, dirigido não só à política, como à sociedade civil, para garantir equidade e oferecer a todos os pacientes as mesmas oportunidades de acesso a terapias eficazes".

Da minha observação sensível sobre saúde e paisagens humanas, essa proposta parece uma respiração mais aberta para o sistema: permitir que a pesquisa se espalhe em rede, que os dados reflitam trajetórias reais e que o protagonismo dos pacientes ilumine caminhos de cuidado mais justos. É a colheita de hábitos que favorece um bem-estar coletivo — e a promessa de que a inovação chegue às raízes de quem mais precisa.

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